8 de maio de 2013

Nutrição na Educação Física Escolar






Mostramos até agora evidencias da presença constante da nutrição nas áreas de treinamento esportivo, mas estas não se restringem a este campo, estão presentes também na educação física escolar.

O estudo: Alimentação na escola como forma de atender às recomendações nutricionais de alunos dos Centros Integrados de Educação Pública (CIEPS), realizado na Escola Superior de Agricultura "Luiz de Queiroz" campus/USP Piracicaba Silva (1998) conclui que é necessário corrigir falhas do conteúdo nutricional das refeições distribuídas na escola, pois as mesmas constituem parte fundamental do consumo alimentar dos alunos dos CIEPs.

Achamos que resultados de pesquisas como esta devem ser conhecidos pelos professores que trabalham com os escolares especialmente o Educador Físico, pois é na aula de educação física que a demanda energética pode aumentar além dos níveis das aulas em sala de aula por conta da atividade física, assim, podem ocasionar um déficit calórico ainda maior. Portanto, o Educador Físico de escolares deve conhecer as condições dos alunos, inclusive nutricionais, para desempenhar seu papel com máxima eficiência e preservação da saúde. Preferencialmente que estas condições nutricionais dos alunos não sejam conhecidas apenas através do possível bom senso e sim por avaliações metódicas mesmo que simples, dos escolares. Atualmente existem muitos modelos de inquéritos nutricionais que auxiliam no conhecimento do estado nutricional tanto de crianças como de adolescentes e adultos. Ressaltamos que a escolha do modelo, aplicação e interpretação exigem a presença de um Nutricionista.

Infelizmente, temos notado que a realidade reportada pela pesquisa acima, está presente em outras partes de nosso país, principalmente pela cobertura atual da mídia que vem explorando o assunto, que ganhou notoriedade com programas de combate a fome. Portanto, receamos que se os números noticiados forem verdadeiros a probabilidade de educadores físicos que lecionam para escolares encontrar crianças subnutridas seja alta.

Costa e Ribeiro (2001), acreditam em um função maior para a merenda escolar, no estudo: Programa de Alimentação escolar: Espaço para Aprendizagem e Produção de Conhecimento, colocam: "As atividades práticas executadas no serviço de alimentação escolar podem ser objeto das atividades pedagógicas executadas pelos professores e intermediadas pelo Nutricionista".

Salientam também a possibilidade de inclusão da: "[...] aprendizagem em saúde e nutrição como parte da cultura do serviço de alimentação escolar, produzindo conhecimento significativo". (COSTA E RIBEIRO 2001)

Concluem deslumbrando a possibilidade de somar uma função ao nosso ver nobre ao programa (COSTA E RIBEIRO 2001).

"O Programa de Alimentação Escolar tem se resumido, muitas vezes, no fornecimento de lanches ou refeições no intervalo das atividades escolares. Entretanto, existem possibilidades, que podem ser usadas pelo Nutricionista responsável pelo Programa, para desenvolver atividades educativas em nutrição, visando à promoção da saúde da comunidade escolar".

Mostram assim, a possibilidade do ato de alimentar-se na escola ser educativo, levando os escolares a adquirirem conhecimentos sobre nutrição, o que imaginamos ser de grande importância para todas as escolas. Pois, mesmo com ampla disponibilidade de alimentos que os alunos mais favorecidos economicamente têm, é possível que sejam mal nutridos e sofram carência de algum nutriente (vitaminas, por exemplo), por consumirem alimentos pobres em nutrientes e muitas vezes ricos em calorias. Ocorrendo assim a obesidade e a desnutrição ao mesmo tempo.

Na pesquisa: Educação nutricional em serviços públicos de saúde (1999), realizada no Departamento de Enfermagem de Ciências Médicas da Universidade estadual de Campinas (BOOG 1999):

"As conclusões referem-se à necessidade de implementação de atividades de educação nutricional nos serviços de saúde, às dificuldades dos profissionais para abordar problemas relativos à nutrição e à necessidade de discutir o ensino de nutrição nos cursos da área da saúde".

Sendo educação física um curso da área de saúde, e de caráter pedagógico tão presente, corroboramos a opinião de que há "[...] à necessidade de discutir o ensino de nutrição nos cursos da área da saúde".

O Departamento de Economia da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo, realizou uma: Análise da composição dos gastos com alimentação no Município de São Paulo (Brasil) na década de 1990. Objetivando "Identificar as estruturas de consumo alimentar no Município de São Paulo, de 1990 a 1996, e compará-las com as derivadas de cestas de alimentos balanceados (CA)" (BARRETO E CYRILLO 2000). E concluíram que: "Infere-se a existência de uma provável inadequação dietética nos domicílios de São Paulo e de riscos associados a uma ingestão insuficiente de legumes, verduras e frutas".

Atribui-se um maior consumo de produtos industrializados a ação do Marketing, pois os preços destes produtos aumentaram relativamente mais que o das frutas e legumes. Portanto seria razoável indicar que os educadores (incluindo os físicos) sejam instrumentos da veiculação de uma alimentação mais adequada, "verduras e frutas são alimentos ricos em vitaminas, minerais antioxidantes e fibras; conseqüentemente, são agentes importantes na prevenção das doenças crônico-degenerativas" (BARRETO E CYRILLO 2000). Enquanto o marketing vem agindo no sentido contrário:

"Portanto, a diminuição na parcela dos orçamentos familiares relativa aos produtos in natura, conforme descrito, representaria um risco potencial à maior freqüência dessas morbidades e estaria contribuindo para o estabelecimento da transição nutricional e epidemiológica no País" (BARRETO E CYRILLO 2000).

Segundo as conclusões de um estudo epidemiológico realizado por Oliveira (2002) sobre a colesterolemia em crianças e adolescentes de baixa renda, as escolas e instituições devem adotar trabalhos multidisciplinares com práticas nutricionais e atividades físicas regulares, promovendo a saúde através de conhecimentos ou hábitos alimentares saudáveis transmitidos às crianças que poderiam divulgar esse conhecimento à suas família.

Pipitone (1997), sugere que a merenda oferece um espaço pedagógico a ser explorado para discussão de temas importantes em época de economia globalizada e influências da comunicação de massa. Sturion (2002) afirma que a educação nutricional deve implementar atividades relacionadas com a formação de bons hábitos, afirmando ainda que o programa de alimentação escolar tem um objetivo educacional e por isso um caráter universal.

Na discussão da merenda escolar encontramos as mais variadas opiniões (PIPITONE, 1997), alguns achando que se trata de um problema de quantidade mais do que de qualidade, outros vem à merenda como assistencialista e paliativa, outros como desvio das atividades genuinamente pedagógicas da escola e alguns vêem ainda como direito da criança. Destacamos que estas são apenas algumas das opiniões podemos encontrar. Porém, acreditamos que independente da discussão em torno dos programas de merenda e/ou alimentação escolar, acreditamos que o alimento tem efeito benéfico, porém temporário, já a educação alimentar é um patrimônio dado à criança por toda a vida.

Salientamos que seria imprescindível a presença de um Nutricionista participando de um programa de educação alimentar, até mesmo para o cumprimento lei que regulamenta a profissão sancionada em 17/09/1991 sob o n° 8.234, que diz:

"É obrigatória a participação de nutricionistas em equipes multidisciplinares, criadas por entidades publicas ou particulares e destinadas a planejar, coordenar, supervisionar, implementar, executar e avaliar políticas, programas, cursos nos diversos níveis, pesquisas ou eventos de qualquer natureza direta ou indiretamente relacionados com alimentação e nutrição, bem como elaborar e revisar legislação e códigos próprios desta área".

Desta forma, acreditamos que sob a orientação de um Nutricionista, o Educador Físico atuando em escolas, poderia contribuir para a educação alimentar dos alunos, necessitando de um mínimo de informação sobre nutrição para realizar efetivamente essa contribuição de forma coerente e eficiente.


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