23 de outubro de 2013

10:54

Avaliação do conhecimento nutricional de atletas profissionais de atletismo e triathlon



O consumo adequado de alimentos e bebidas deve nortear os princípios de um plano alimentar saudável, e a escolha destes alimentos também precisa ser adequada para suprir as necessidades energéticas e de nutrientes(1). Entretanto, a prática de exercícios físicos exige um foco diferenciado no acompanhamento nutricional, devido especialmente à intensidade e duração de cada exercício, bem como o nível de condicionamento do atleta(2,3). Com isso, a educação nutricional torna-se relevante, pois auxilia a compreensão dos fatores preditores do comportamento alimentar e ajuda a criar condições que facilitam a escolha de alimentos saudáveis, tanto para pessoas sedentárias quanto para as fisicamente ativas(4).
O conhecimento nutricional pode ser definido como um constructo científico criado por educadores nutricionais para representar o processo cognitivo individual relacionado à informação sobre alimentação e nutrição(5). Ele facilita a escolha dos alimentos, tanto no intuito de prevenir doenças crônicas não transmissíveis(6) quanto para melhorar o desempenho atlético(7,8). Existem instrumentos para medir o conhecimento nutricional de diferentes populações. A escala sobre conhecimento nutricional para uso no Nacional Health Interview Survey Cancer Epidemiology utilizada para testar se o conhecimento nutricional sobre prevenção de câncer correlacionava-se com práticas alimentares que, realmente, prevenissem a doença, foi desenvolvida por Harnack et al.(6). Esta escala foi, posteriormente, traduzida para o português falado no Brasil por Scagliusi et al.(9). Além da tradução, esta escala foi adaptada para o Brasil, visto que alguns dos alimentos questionados não eram amplamente consumidos no território brasileiro. Nicastro et al.(10) publicaram, recentemente, resultados da aplicação pioneira desta escala de conhecimento nutricional em uma população brasileira praticante de exercícios físicos e, com isso, abriu-se uma nova perspectiva de estudos na área de avaliação do conhecimento nutricional em atletas e esportistas, com o uso de um questionário validado.
Reconhecendo a importância do conhecimento nutricional para fazer escolhas acertadas na alimentação, torna-se importante que atletas possuam o domínio deste tema. Sabendo-se que pessoas praticantes de triathlon e atletismo, mais precisamente competidores de provas como o Ironman e a maratona, possuem uma elevada demanda energética do atleta, estas escolhas alimentares precisam ser adequadas para suprir suas necessidades energéticas. Ainda, por se tratar de esportes individuais, acredita-se na necessidade de um adequado conhecimento nutricional, pois nem sempre existem momentos de trocas de conhecimento com colegas de equipe. Portanto, o objetivo deste estudo é a avaliação do conhecimento nutricional de atletas de atletismo e triathlon, através dos resultados da aplicação da escala de conhecimento nutricional traduzida e adaptada(9).

MÉTODOS
Delineamento do estudo
O presente estudo tem caráter transversal para avaliar o conhecimento nutricional de atletas profissionais de atletismo e triathlon.
Caracterização da população e amostra
A população estudada foi composta por atletas de atletismo e triathlon, devidamente federados, com idade entre 18 e 65 anos de ambos os sexos, que treinam na pista de atletismo do Centro Estadual de Treinamento Esportivo (CETE), Usina do Gasômetro e pista de atletismo da Sociedade de Ginástica de Porto Alegre (SOGIPA), todos localizados na cidade de Porto Alegre, RS, Brasil. A amostra foi composta por atletas que aceitaram voluntariamente participar da pesquisa, mediante a assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido em duas vias previamente aprovadas pelo Comitê de Ética e Pesquisa do Centro Universitário Metodista IPA (protocolo 444/2008). Foram excluídos os indivíduos que tivessem frequentado o curso de graduação em Nutrição ou que fossem profissionais nutricionistas formados, devido ao fato de que este público já teria um conhecimento nutricional avançado. A coleta de dados foi realizada nos locais de treinamento citados anteriormente, nos períodos pré ou pós-treino ou competição onde os mesmos foram orientados a responder da maneira mais honesta possível.
O cálculo do tamanho da amostra foi realizado baseando-se na prevalência de que aproximadamente 13% dos indivíduos avaliados possuem alto conhecimento sobre nutrição(9,10). Tendo conhecimento que nossa amostra abrange indivíduos com grande interesse em nutrição, sugerimos uma proporção de que 17% dos indivíduos terão alto conhecimento sobre nutrição. Admitindo-se um teste monocaudal com poder de 80% e nível de significância de 5%, o tamanho da amostra obtido foi de 50 atletas.
Descrição do instrumento de coleta dos dados
As informações sobre conhecimento nutricional foram obtidas utilizando-se o questionário desenvolvido por Harnack et al.(6) e, posteriormente, traduzido, adaptado e validado para o Brasil por Scagliusi et al.(9). Este questionário contém 12 questões com pontuações específicas, e os dados foram posteriormente tabulados em banco de dados do Excel® 2007. Para classificação do conhecimento nutricional, utilizou-se os critérios de acordo com a validação brasileira(6): pontuações totais entre zero e seis indicam baixo conhecimento nutricional; entre sete e 10 indicam moderado conhecimento nutricional e acima de 10 indicam alto conhecimento nutricional. O conhecimento nutricional foi classificado como satisfatório quando a pontuação foi superior a sete.
Também foram coletados dados para a caracterização da amostra, como idade, sexo, escolaridade, tempo de treino, se já consultou nutricionista e se faz uso de suplemento alimentar. Foram avaliadas as variáveis "escolaridade" e "acompanhamento nutricional" para correlacionar o nível de conhecimento nutricional de acordo com o gênero e idade.
Análise estatística
Para expressar os dados contínuos e categóricos de caracterização da amostra, foram utilizadas frequências absolutas (médias e desvios padrão) e relativas (%). Para avaliar a associação entre as variáveis categóricas, foi utilizado o teste exato de Fisher. O teste de correlação de Pearson foi utilizado para correlacionar as variáveis numéricas do questionário de conhecimento nutricional e o tempo de treinamento em anos. O nível de significância aceito foi de p < 0,05.

RESULTADOS
Os dados de caracterização da amostra encontram-se na tabela 1. Os atletas eram, em sua maioria, do sexo masculino e praticantes de triathlon. Não houve diferença significativa na pontuação geral da escala de conhecimento nutricional entre os praticantes das modalidades atletismo e triathlon (9,3 ± 2 e 9,8 ± 2,3 respectivamente, p = 0,158) e, com isso, optou-se por mostrar os resultados de ambas as categorias de uma forma única. O tempo de treino médio corresponde a aproximadamente 10 anos, e a maioria dos atletas (80%) fazia uso de suplementos alimentares. O conhecimento nutricional dos atletas, avaliado através da aplicação da escala de conhecimento nutricional, foi considerado satisfatório, uma vez que 90% da amostra tiveram conhecimento nutricional classificado como "moderado" e "alto".


tabela 2 mostra a associação do conhecimento nutricional com algumas variáveis selecionadas. Não houve diferença no conhecimento nutricional entre os atletas do sexo masculino e feminino. Entre aqueles que informaram ter consultado o nutricionista, a maioria (94,3%) tinha conhecimento nutricional moderado ou alto, enquanto que entre aqueles que relataram não ter consultado o nutricionista, esta proporção foi mais baixa (80%), embora a diferença não tenha sido significativa. Ainda, o fato de tomar suplementos ou ter frequentado um curso superior não alterou o conhecimento dos avaliados.


tabela 3 traz os resultados da associação entre o acompanhamento nutricional e as variáveis "escolaridade" e "uso de suplementos". A frequência de consulta a um profissional nutricionista foi maior entre aqueles atletas que frequentaram um curso superior (p = 0,002). Ainda, os 12 atletas com nível de pós-graduação já tinham realizado consulta nutricional. Já dos sete atletas com nível médio completo ou incompleto, apenas um relatou a consulta nutricional. Adicionalmente, estes atletas que fazem ou fizeram o acompanhamento nutricional, informaram consumo de suplementos nutricionais de forma mais acentuada do que aqueles que não fizeram o acompanhamento (p < 0,01).


Não houve correlação estatisticamente significativa entre o tempo de treinamento e a pontuação obtida na escala de conhecimento nutricional (r = 0,024, p = 0,651). Com isso, treinar a mais tempo não alterou o conhecimento nutricional na amostra estudada.

DISCUSSÃO
O principal achado do presente estudo foi que, em sua maioria, os atletas possuem satisfatório conhecimento nutricional. Cabe salientar que, até o presente momento, apenas quatro estudos originais utilizaram a escala do presente estudo(9-12). Este fato torna-se um fator limitante para a discussão dos nossos resultados. Entretanto, este é um tema de grande interesse para a população do meio esportivo, uma vez que um bom conhecimento nutricional por parte dos atletas poderia aprimorar o desempenho esportivo. Com isso, ressalta-se a necessidade de outros estudos avaliando o conhecimento nutricional dos atletas, utilizando uma escala validada e adaptada como a utilizada neste estudo. Embora a escala tenha sido inicialmente idealizada para verificar a existência de correlação entre o conhecimento nutricional e práticas de prevenção de câncer, ela está sendo utilizada em outras populações pelo fato de não existir outro questionário validado no Brasil para avaliar o conhecimento nutricional.
Na validação deste questionário, Scagliusi et al.(9) aplicaram o questionário em mulheres com transtornos alimentares e estudantes de nutrição, que obtiveram pontuação de 7,4 ± 2,6 e 10,5 ± 1,7, respectivamente. Mulheres vegetarianas e onívoras apresentaram pontuação de 10,6 ± 1,7 e 8,7 ± 2,3, respectivamente, com a aplicação desta instrumento(11). Mesmo não sendo atletas, a pontuação do questionário nos estudos anteriores foi bastante semelhante à encontrada no presente estudo (9,6 ± 2,2), com exceção das mulheres com transtornos alimentares, que apresentaram pontuação mais baixa. Outros estudos que avaliaram a pontuação de atletas de atletismo e judô encontraram pontuação de 8,9 ± 1,7(10) e 6,9 ± 2,2, respectivamente(12). A discrepância nos valores encontrados com a aplicação do questionário em atletas de diferentes esportes demonstra a necessidade de educação nutricional para este público, principalmente enfocando a prevenção de doenças crônicas não transmissíveis.
Especula-se que o grau de instrução possa interferir no conhecimento nutricional. Nicastro et al.(10) avaliaram o conhecimento nutricional de atletas profissionais e amadores de atletismo com esta mesma escala, e verificaram que os atletas amadores obtiveram pontuação significativamente maior que o grupo de profissionais. Uma justificativa para este achado seria o fato de que atletas profissionais teriam maior dedicação ao esporte e, com isso, menor disponibilidade para estudos. Mesmo que estes autores não tenham encontrado correlação significativa entre anos de estudo e pontuação no questionário, a escolaridade foi superior no grupo de atletas amadores. No presente estudo, não foi verificada associação significativa entre a escolaridade em nível superior e o conhecimento nutricional dos atletas, assim como em outro estudo que avaliou conhecimento nutricional de atletas de judô(12). Este achado pode ser explicado parcialmente pelo alto nível de escolaridade da amostra, em que 82% relataram terem frequentado um curso de graduação.
Além da escolaridade, a área de aperfeiçoamento também interfere no conhecimento nutricional. No estudo realizado por Zawila et al.(13), verificou-se que 22% das atletas que haviam concluído um curso de nutrição (13 de 60 atletas) obtiveram uma pontuação mais elevada no questionário de conhecimento nutricional quando comparados com as demais atletas. Nas questões pertinentes à nutrição esportiva, especialmente, este público apresentou uma pontuação significativamente maior do que as atletas não vinculadas a um curso de nutrição. Ainda, Scagliusi et al.(9) também verificaram que estudantes de nutrição possuem maior conhecimento nutricional do que pessoas com transtornos alimentares. Com isso, no presente estudo excluiu-se um fator de confusão que poderia afetar a análise dos dados.
No presente estudo, não se verificaram diferenças significativas entre o conhecimento nutricional e o sexo dos atletas. Nicastro et al.(10) encontraram maior pontuação na escala de conhecimento em atletas do sexo feminino. Embora as mulheres possuam maior interesse em nutrição, principalmente porque possuem maior preocupação com estética e composição corporal(11), outros fatores também podem ter influenciado o resultado do presente estudo. Embora o conhecimento nutricional não tenha sido associado com a escolaridade, dos 29 atletas que tinham curso superior completo ou pós-graduação, 22 destes (75,9%) eram do sexo masculino. Essa informação pode justificar parcialmente uma pontuação maior na escala de conhecimento por parte dos atletas do sexo masculino, mesmo sem diferenças significativas.
Na literatura científica, outros instrumentos foram utilizados para avaliação do conhecimento nutricional de atletas. Raymond-Parker et al.(14) avaliaram o conhecimento nutricional de 59 atletas do sexo feminino suscetíveis à tríade da mulher atleta utilizando o General Nutrition Knowledge Questionnaire (GNKQ)(15). Os autores verificaram uma pontuação na escala superior quando comparada com 32 mulheres não treinadas controle, sugerindo que as atletas possuem maior conhecimento nutricional do que as não atletas. Outros autores não encontraram uma maior pontuação no questionário de conhecimento nutricional de atletas quando comparado a um grupo controle não treinado(11,16-18). No entanto, é importante ressaltar que estes estudos são mais antigos, e atualmente a propagação do conhecimento em mídias eletrônicas facilitou o acesso às fontes de informações acerca de saúde e alimentação saudável.
Neste estudo, verificou-se que o conhecimento nutricional destes atletas não está associado ao acompanhamento por profissional nutricionista. Entretanto, outros estudos na literatura apontam a importância do acompanhamento nutricional para o desenvolvimento de bons hábitos alimentares. Smith-Rockwell et al.(19)conduziram um estudo para avaliar o conhecimento nutricional, opiniões e práticas de treinadores (n = 53) de atletas da primeira divisão universitária. De forma geral, os treinadores responderam de forma correta 67% das questões. Os dados demonstraram que todos os treinadores faziam recomendações dietéticas gerais durante os treinamentos, e que 30% dos treinadores relataram recomendar aos atletas que procurassem um especialista em nutrição, a mesma porcentagem dos que citaram que trabalhavam com um nutricionista regularmente. Outro estudo com este mesmo objetivo demonstrou que 70% dos treinadores responderam corretamente às questões acerca de nutrição, mas apenas um terço indicou um alto grau de certeza nas suas respostas(8). Com isso, salienta-se a importância do profissional nutricionista na orientação adequada de pessoas engajadas em práticas esportivas.
É crescente o número de atletas que fazem uso de suplementos nutricionais, com o objetivo de melhorar o desempenho no esporte. Esta questão referente à suplementação alimentar precisaria ser alvo de uma discussão mais ampla no meio esportivo, envolvendo aspectos de educação nutricional e motivação para o esporte. Embora não tenha sido verificada significância estatística na associação entre o uso de suplementos e conhecimento nutricional, este fato pode ser atribuído ao pequeno tamanho amostral. Mesmo respeitando o número mínimo de pessoas avaliadas apontadas no cálculo do tamanho amostral, uma amostra maior poderia revelar associações não visualizadas no presente estudo. Com isso, sugere-se que estudos posteriores avaliando conhecimento nutricional sejam realizados com uma maior participação de voluntários.
Em conclusão, verificou-se um conhecimento nutricional considerado satisfatório na amostra estudada. É necessário que outros estudos acerca desta temática sejam executados, para termos um panorama do conhecimento nutricional de atletas profissionais. Ainda, torna-se importante avaliar o conhecimento de atletas de outras modalidades, assim como comparar a diferença do conhecimento entre profissionais de esportes individuais e em grupo. Com isso, podemos ampliar o conhecimento acerca do papel da nutrição para o rendimento esportivo, bem como elucidar a importância deste tema para atletas e treinadores.

REFERÊNCIAS
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17 de outubro de 2013

02:23

Beber água antes da refeição pode ajudar a perder peso, revela estudo


Uma pesquisa feita por cientistas dos Estados Unidos afirma que beber água antes das refeições ajuda as pessoas a perderem peso.

Cientistas do Estado americano da Virgínia afirmam que pessoas que estão em dieta podem perder cerca de 2kg a mais se elas beberem pelo menos dois ou três copos por dia antes das refeições.

A pesquisa foi apresentada em um congresso nacional da Sociedade Americana de Química, em Boston.

Todos os adultos que participaram da pesquisa tinham entre 55 e 75 anos de idade. A teoria dos cientistas foi testada em 48 adultos, divididos em dois grupos, ao longo de 12 semanas.

Ambos os grupos seguiram dietas de baixa caloria, mas um deles bebeu água antes das refeições.

Ao longo de 12 semanas, as pessoas que beberam água perderam cerca de 7kg, enquanto os demais perderam em média 5kg.

Um estudo anterior já havia mostrado que pessoas que bebem até dois copos de água antes de cada refeição ingerem de 75 a 90 calorias a menos.

Calorias

Uma das autoras da pesquisa, Brenda Davy, da universidade Virginia Tech, acredita que o fato de se encher o estômago com um líquido sem calorias antes das refeições faz com que menos calorias sejam consumidas.

"As pessoas deveriam beber mais água e menos bebidas adocicadas e com muita caloria. É uma forma simples de se facilitar o controle do peso", afirma Davy.

Segundo a cientista, bebidas dietéticas e com adoçantes artificiais também podem ajudar as pessoas a reduzir o consumo de calorias, ajudando a perder peso.

No entanto, ela disse que bebidas com muito açúcar precisam ser evitadas. Uma lata de refrigerante comum contém, em média, 10 colheres de chá de açúcar.

A pesquisa foi financiada pela entidade Institute for Public Health and Water Research, que realiza estudos sobre água e saúde pública.

Fonte: BBC Brasil

16 de outubro de 2013

10:53

Efeito de suplemento hidroeletrolítico na hidratação de jogadores juniores de futebol




O futebol tem características bastante peculiares em relação à hidratação, principalmente pelo fato de não possuir pausas regulares para que os jogadores possam ingerir líquidos durante os jogos. Antes do início da partida e no intervalo são as situações em que o jogador tem a garantia de consumir líquidos(1,2).
Os jogadores de futebol podem perder até três litros ou mais de suor durante um jogo. O estado crônico de desidratação e o estresse térmico durante um jogo de futebol podem limitar o desempenho e ser prejudiciais ao jogador, sendo comum observar temperaturas corporais acima de 39ºC após partidas de futebol(3).

A ingestão de líquidos contendo eletrólitos e carboidratos durante o exercício é extremamente benéfica para o jogador, uma vez que minimiza os efeitos da desidratação. A reposição de líquidos deve ser proporcional a alguns fatores, tais como: intensidade do exercício, condições climáticas, aclimatação do atleta, condicionamento físico e características individuais fisiológicas e biomecânicas(1).

A presença de eletrólitos, principalmente o sódio, pode auxiliar no processo de hidratação, aumentando a palatabilidade, a absorção de glicose e água(4). O desempenho é otimizado quando ocorre ingestão concomitante de água, eletrólitos e carboidrato. A glicose, além de aumentar a captação de água, fornece substrato energético para a atividade física e confere mais sabor à solução, estimulando a ingestão de maiores quantidades de líquidos. A solução ideal deve conter cerca 5% a 10% de carboidratos e 20-30meq/L sódio(4,5). Além disso, os líquidos devem ter temperatura menor do que a ambiente (entre 15ºC e 22ºC) e com sabor atraente para o consumo(6).

O presente trabalho foi proposto com a intenção de testar uma bebida hidratante de fácil elaboração e de baixo custo, considerando-se a importância da hidratação para o bom desempenho do futebol. Assim, esta pesquisa teve como objetivo avaliar a hidratação de jogadores sub-18 do Vila Nova Futebol Clube após a ingestão do suplemento hidroeletrolítico mais aceito em teste afetivo.

METODOLOGIA
Para avaliação da hidratação foram elaborados três suplementos hidroeletrolíticos. A fórmula básica das bebidas foi preparada com uma única concentração de sal (1,48g/L) e quantidades variadas de carboidrato, suco de fruta (laranja), açúcar (sacarose) e maltodextrina, conforme as recomendações do American College of Sports Medicine(5). As bebidas foram preparadas com duas concentrações de carboidratos: 6% e 8%, e foi utilizado um suplemento comercial como controle, com 6% de carboidrato (Tabela 1).


A aceitação dos suplementos hidroeletrolíticos foi avaliada por meio de teste afetivo em laboratório com 40 consumidores potenciais de bebidas esportivas não treinados. Os voluntários participaram da análise sensorial após assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (protocolo nº 046/09).
A aceitação global (sabor, odor e textura) e aparência foram avaliadas de forma monádica, em laboratório. A escala hedônica estruturada de nove pontos foi usada para análise da aceitabilidade global e aparência(7). A formulação mais aceita (ponto de corte 6: gostei levemente) foi selecionada para a avaliação da hidratação.
Foram realizadas análises de osmolalidade do suplemento comercial (controle), e do suplemento elaborado de maior aceitabilidade, com auxílio de um osmômetro de pressão de vapor (VAPRO Modelo 5520, Wescor, 370 West 1700 South Logan, Utah, EUA).
A amostra foi constituída por nove jogadores de futebol, do sexo masculino, da categoria sub-18 de um time de futebol, que participavam regularmente de competições da Federação Goiana de Futebol em Goiás (Brasil).
O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Federal de Goiás (protocolo nº 046/09). A pesquisa foi realizada após assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido pelos atletas com 18 anos de idade ou pelos responsáveis.
Inicialmente, foi realizada uma anamnese alimentar com os atletas, usando-se um formulário padronizado para coleta de informações sobre as características pessoais, culturais, situação de saúde, hábitos alimentares e de hidratação.
O suplemento hidroeletrolítico mais aceito na análise sensorial e o suplemento comercial (controle) foram submetidos aos testes de hidratação realizados no Centro de Treinamento do Clube, com intervalo de uma semana entre as bebidas. Para assegurar a adequada hidratação dos esportistas, eles foram instruídos a consumir água frequentemente um dia antes do estudo e ingeriram 500mL de água uma hora antes do treino.
Todos os atletas foram submetidos ao mesmo tipo de treinamento, consistindo em 30 minutos de treino físico com uma intensidade igual ou superior ao jogo, seguidos de 10 minutos de intervalo e 50 minutos de treinamento coletivo (simulação de um jogo com subdivisão em dois times), resultando em 80 minutos de treino.
Durante os testes, foi oferecido a todos os jogadores 200mL de suplemento controle ou teste em garrafas plásticas individuais, devidamente identificadas pelo pesquisador em um intervalo de 15 em 15 minutos, até completar uma hora e 30 minutos de treinamento (80 minutos de treino e 10 minutos de intervalo) e a ingestão de água foi padronizada em 300mL para todos os jogadores, totalizando 1.200mL de líquidos.
A hidratação foi avaliada de acordo com as variáveis: intensidade do exercício, tempo de movimentação, densidade de urina, diferença de massa corporal, grau de desidratação e taxa de sudorese. Cada jogador foi acompanhado, individualmente, por um observador, previamente instruído sobre o estudo. A temperatura ambiente e a umidade relativa do ar no dia da realização dos testes foram obtidos no 10º Distrito de Meteorologia de Goiânia do Instituto Nacional de Meteorologia.
Para avaliar a intensidade do treinamento, cada jogador teve sua frequência cardíaca monitorada com auxílio de frequencímetro (Polar Electro, Professorintie 5, Oulu, Finlândia) em um intervalo de cinco minutos para cada medida.
Para a determinação da intensidade foram utilizados os percentuais de frequência cardíaca máxima (FCmáx), previstos a partir da equação apresentada a seguir. A classificação da intensidade de exercícios foi determinada de acordo com a classificação de Denadai e Greco(8): muito leve < 35 %, leve 35-54, moderada 55-69 e pesada 70-89 FCmáx.
FCmáx = 220 - idade (anos)
Durante 80 minutos de treinamento, o tempo de movimentação foi aferido com auxílio de um cronômetro digital, sendo registrado o tempo de movimentação do jogador, desconsiderando-se a direção e a posse da bola. Quando o jogador realizava uma pausa, o cronômetro era parado e reiniciado com o retorno do deslocamento corporal.
Para realização da densidade de urina foi solicitado aos jogadores que fornecessem uma amostra em coletores individuais de 80mL, antes e após cada jogo (cerca de 15 minutos). A determinação da densidade foi realizada em triplicata com auxílio de refratômetro (Passed), no máximo duas horas após a coleta, no Laboratório Rômulo Rocha da Faculdade de Farmácia da Universidade Federal de Goiás. Os coletores com as amostras foram transportados em caixa de isopor e armazenados em refrigeração (cerca de 4ºC) até o momento da análise.
A massa corporal foi aferida antes da coleta de urina em balança portátil tipo plataforma, digital, de 150kg de capacidade e sensibilidade de 0,1kg (Plenna, Rua Javaés, 640, Bom Retiro – São Paulo, SP, Brasil), com o indivíduo vestido de calção, descalço e sem a utilização de acessórios. A aferição ocorreu antes e após o treinamento, sem considerar as correções para ingestão de líquidos. A mudança na massa corporal foi obtida pela diferença entre os valores antes e depois do treino.
O grau de desidratação foi calculado a partir da medida da massa corporal, conforme a equação descrita a seguir:
% desidratação (DH) = (mudança na massa corporal − volume urinário durante o treinamento) / massa corporal inicial x 100
Para a determinação do volume urinário, durante o treinamento, os jogadores foram instruídos a urinar em recipientes individuais graduados em mL, localizados no vestiário do Clube.
A taxa de sudorese em L/h foi mensurada por meio da massa corporal e ingestão hídrica, de acordo com a equação proposta por Horswill(9):
Taxa de suor = [massa corporal inicial (kg) + ingestão hídrica (L)] - [massa corporal final (kg) + volume urinário] / tempo (min) x 60
Os resultados da análise sensorial foram analisados por meio de análise de variância (ANOVA) e teste de média de Tukey com 5% de probabilidade, além da análise do histograma de frequência (escores de aceitação versusporcentagem de provadores). Os dados pessoais, antropométricos e do estado de hidratação foram analisados por estimativa de mediana e percentis obtidos com auxílio do programa Epi Info (versão 6.04). Para comparação dos dados da análise de hidratação das bebidas controle e teste foi utilizado o teste não paramétrico de Wilcoxon e o programa Statistical Package for the Social Sciences (SPSS) 10.0 para Windows, (α = 0,05).

RESULTADOS
As médias de aceitação global e da aparência das bebidas 2 e 3 não diferiram significativamente entre si (Tabela 2). No entanto, a bebida 3 foi selecionada para os testes de hidratação, uma vez que atingiu o ponto de corte (6: gostei levemente).


Os resultados hedônicos confirmam que a bebida com 8% de carboidrato (bebida 3) obteve escores iguais ou superiores a 6 (gostei levemente) de 70% dos provadores.
A osmolalidade do suplemento comercial, composto por 6% de carboidrato, foi de 300mOsmol/kg e do suplemento teste, formulado com 8% de carboidrato, foi de 232mOsmol/kg.
Os atletas estudados apresentavam variação de idade de 17 a 18 anos, com mediana de estatura de 1,74m, de massa corporal de 65kg e de frequência cardíaca máxima (FCM) de 203 batimentos por minuto (bpm).
Todos os atletas declararam não fazer uso de bebida alcoólica e cigarro, e quanto a problemas gastrointestinais dois indivíduos apresentaram gastrite. Realizavam de quatro a cinco refeições diárias e a ingestão hídrica habitual era de mais de dois litros de água por dia. Apenas em dias de jogos utilizavam, além da água, suplemento hidroeletrolítico comercial ad libitum sem intervalo de tempo determinado, como estratégia de hidratação.
A variação por hora de temperatura e umidade relativa conforme o tempo gasto na atividade de campo e para coleta de dados está mostrada na tabela 3. Houve pequena variação da temperatura nos três dias de pesquisa, sendo que o dia destinado à administração da bebida controle foi o que ocorreu a menor temperatura e a maior umidade relativa.


Os resultados das variáveis usadas para avaliar o efeito da hidratação das bebidas controle e teste estão mostrados na tabela 4. No presente estudo, verificou-se uma maior intensidade de exercício, avaliada de acordo com a frequência cardíaca, para a bebida teste quando comparada com a bebida controle. Já o tempo de movimentação em relação à bebida teste foi significativamente menor do que a bebida controle (p = 0,008).


Não houve diferenças significativas entre os dois tratamentos realizados em relação à densidade urinária antes e depois dos 80 minutos de treino (p = 0,20).
A mediana de perda de massa corporal dos atletas com ingestão da bebida teste (0,9kg) foi maior (p = 0,012) quando comparado à ingestão da bebida controle (0,10kg). Verificou-se que houve perda de massa corporal de todos os atletas, imediatamente após o treino, com a ingestão das duas bebidas (controle e teste), com exceção de um atleta que ganhou 200g de massa corporal nas duas situações.
Em relação ao grau de desidratação, houve diferença significativa entre os tratamentos (p = 0,1); a mediana para a bebida controle foi de 0,18%, enquanto para a bebida teste foi de 1,64%. Também houve diferença significativa entre os tratamentos para taxa de suor (p = 0,1), sendo que os menores valores foram para a bebida controle (0,87).

DISCUSSÃO
Conforme o teste de aceitação dos suplementos hidroeletrolíticos formulados, a bebida 3 com 8% de carboidrato atingiu o ponto de corte 6. Provavelmente, o sabor adocicado característico do suco de fruta tenha interferido positivamente na aceitação, uma vez que a aceitação diminuiu com a redução do percentual de suco de laranja.
A bebida teste teve menor valor de osmolalidade do que a bebida controle. Shi e Gisolfi(10), em estudo de meta-análise sobre a reposição de fluidos e carboidratos durante exercícios intermitentes, relataram que a osmolalidade de soluções é, provavelmente, o primeiro
determinante da absorção de água no intestino. Estes autores constataram que suplementos com osmolalidade variando de 250 a 370mOsmol/kg têm maior capacidade de hidratação.
Ainda que tenham sido utilizadas as recomendações do American College of Sports Medicine(5) para carboidrato e sódio, de suplementos hidroeletrolíticos, a osmolalidade da bebida teste ficou levemente abaixo de 250mOsmol/kg. Esta pode ser classificada como hipotônica quando comparada a osmolalidade do plasma de indivíduos euhidratados (286mOsm/kg). Evans et al.(11) relataram que as soluções hipotônicas têm uma melhor efetividade na reidratação quando comparadas às soluções hipertônicas, que podem ser inadequadas, por provocarem movimento de água para o intestino delgado e reduzirem o ritmo de esvaziamento gástrico e absorção intestinal.
Evans et al.(12) também avaliaram, em 12 indivíduos do sexo masculino, o efeito de soluções com concentração de glicose e osmolalidade de 0% e 0mOsm/kg, 2% e 111mOsm/kg, 5% e 266mOsm/kg e 10% e 565mOsm/kg, respectivamente, e observaram que a ingestão da solução hipertônica (10% de glicose) resultou em uma diminuição do volume plasmático e levou ao surgimento de água no intestino delgado que, provavelmente, originou-se do volume vascular.
Verificou-se uma variação das condições de temperatura e umidade entre os dias de ingestão de bebida controle e teste, sendo a maior diferença para a umidade relativa. A menor temperatura e maior umidade no dia de realização da pesquisa com a bebida controle pode ter favorecido os resultados da hidratação. No entanto, a interferência da temperatura foi baixa, haja vista a pequena variação entre os três dias de pesquisa. É possível que os atletas, no dia de ingestão da bebida teste, tenham tido maior evaporação da sudorese, por causa da umidade ambiente mais baixa, embora no dia da bebida controle a umidade elevada possa ter favorecido o aumento da sudorese, mas dificultado a sua evaporação. Neste caso, provavelmente, a maior intensidade do exercício tenha sido um diferencial nos dias da bebida teste.
A intensidade do treinamento é um dos fatores de maior interferência na perda de massa corporal durante o exercício. Existe uma relação proporcional entre a intensidade do exercício e o desgaste físico, que, por consequência, afeta negativamente a massa corporal e a performance do atleta(13). A maior intensidade do exercício no treino com a bebida teste possivelmente influenciou os resultados da hidratação.
O atleta está bem hidratado com valores de densidade urinária menores que 1.010, minimamente desidratado com valores entre 1.010 e 1.020, significativamente desidratado com densidades entre 1.020 e 1.030 e severamente desidratado com valores acima de 1.030(14). A mediana de densidade de urina antes do treinamento foi 1.021 para a bebida controle e 1.015 para a bebida teste. Apesar da recomendação de ingestão hídrica no dia anterior aos testes e de ingestão de 500mL uma hora antes do treino, todos os atletas iniciaram o treinamento desidratados, com exceção de um jogador (Tabela 4).
Os jogadores terminaram o treino com ingestão de bebida controle e teste mais desidratados. O valor de densidade urinária pré-exercício de 1.020 a 1.030 é considerado comum para jogadores de futebol profissional(15). Na presente pesquisa, a densidade urinária de todos os jogadores aumentou no final do treino. Entretanto, três jogadores com ingestão de bebida controle e quatro com ingestão de bebida teste terminaram o treino com densidade urinária abaixo de 1.020.
Finn e Wood(16) avaliaram, por meio de densidade urinária, o estado de hidratação pré-jogo de 93 atletas de futebol (n = 32), voleibol (n = 43) e basquetebol (n = 18) em uma competição sob condições climáticas tropicais e obtiveram uma média de 1,020 ± 0,008 para estes atletas. No entanto, os jogadores de futebol foram considerados os mais desidratados, visto que 48% foram classificados como significativamente e extremamente desidratados, o que se assemelha ao presente estudo em que 55,5% dos atletas estavam significativamente desidratados (densidade urinária maior que 1.021), antes de iniciar o treino com a bebida controle e 33% com a bebida teste.
Godek et al.(15) analisaram o estado de hidratação de 10 jogadores adultos de futebol americano, com média de idade de 21,2 anos, durante cinco dias de treinamento pré-competição, com médias de temperatura e umidade relativa de 28,4ºC e 64,9% no período da manhã e 34,5ºC e 43% a tarde, respectivamente. Os atletas foram orientados a ingerir pelo menos 500mL de água nas noites anteriores aos treinos. As densidades de urina antes e após os treinos indicavam desidratação crônica (valores maiores que 1.020), embora os jogadores tenham consumido água e suplementos nos intervalos dos treinos.
Os resultados relatados pelos autores descritos anteriormente reforçam a ideia de que atletas, em geral, começam a prática de esportes em condições de desidratação. Atletas que iniciam exercícios prolongados desidratados, principalmente em climas tropicais, estão mais propensos a efeitos adversos na função cardiovascular, regulação da temperatura e desempenho no exercício(16).
A perda de massa corporal durante a prática esportiva é uma medida real da hipohidratação em atletas, além da densidade urinária(17). Considera-se desidratação quando o percentual de perda de massa for maior que 2% da massa corporal inicial(14,18).
A maior perda de massa nos dias de ingestão da bebida teste, provavelmente, foi causada pela elevada intensidade de exercício e pela baixa umidade em comparação ao dia de ingestão da bebida controle. Ostojic e Mazic(19), em estudo com um protocolo semelhante ao realizado, observaram uma perda média de massa corporal de 0,9kg e de 1,4kg para sete atletas de futebol que ingeriram bebida com 7% de carboidrato e água, respectivamente, a temperatura ambiente de 24,5ºC e 50% de umidade do ar. Estes resultados estão próximos aos observados no presente estudo para bebida teste.
O ganho de massa corporal em atletas que ingerem maiores quantidades de líquidos em proporção à quantidade que foi perdida no suor é mais evidente quando o indivíduo está em estado hidratado antes da prática de exercício(18).
No presente estudo, o atleta que ganhou peso após o treino nos dois tratamentos encontrava-se pelo menos minimamente desidratado, com valores de densidade de urina 1.022 e 1.015 para bebida controle e teste, respectivamente. O ganho de massa corporal desse atleta pode estar relacionado à sua intensidade de trabalho, que variou de leve a moderada em todos os dias de teste, diferenciando-se dos demais atletas, o que possivelmente permitiu uma menor perda hídrica em comparação aos demais atletas pesquisados. Godek et al.(15)também observaram ganho de massa de 3,64kg em um jogador de futebol americano, dentre 10 pesquisados, após uma sessão de treino pela manhã.
O grau de desidratação pode ser determinado por meio da mudança de massa corporal e reflete, em termos percentuais, o quanto o jogador se desidratou ao longo do jogo(14). Os atletas concluíram a partida mais desidratados com a ingestão de bebida teste; contudo, o limite de 2% de perda de massa corporal não foi ultrapassado (tabela 4).
Guttierres et al.(20) compararam o efeito do consumo de bebida esportiva cafeinada em relação à bebida carboidratada comercial sobre o balanço hídrico de 20 jogadores juniores de futebol, em temperaturas médias de 32ºC e umidade relativa do ar de 47%, e relataram valores médios de grau de desidratação 1,1 ± 0,7% para bebida cafeinada e 0,7 ± 0,6% para bebida carboidratada. Neste caso, a bebida carbonatada comercial teve resultados melhores que os obtidos no presente trabalho para bebida teste, embora o grau de desidratação tenha sido superior aos resultados da bebida controle.
A taxa de sudorese é um indicativo de perda de fluidos e expressa o quanto de suor o indivíduo é capaz de perder por unidade de tempo. A média das taxas de sudorese para atletas variam de 0,5L/h a 2,5L/h(14). Diversos fatores interferem na produção de suor, tais como as condições climáticas, aclimatação do atleta, condicionamento físico, ingestão de fluidos, vestimentas, composição corporal e posicionamento no campo(21,22).
A menor intensidade de treino, além das condições favoráveis do dia da pesquisa com a bebida controle (menor temperatura e umidade relativa mais alta), provavelmente favoreceram a redução da taxa de suor.
Reis et al.(23), avaliaram o perfil antropométrico e determinaram a taxa de sudorese de 16 jogadores juvenis de futebol entre 14 e 17 anos, em um dia de treino de 60 minutos, com temperatura média de 14ºC e umidade do ar de 70%. A média dos valores de taxa de sudorese obtida para os atletas foi de 8,8 ± 6,6mL/min, o que corresponde a 0,53L/h ± 0,4L/h. Assim, os valores de taxa de sudorese foram menores que os encontrados no presente estudo; isto pode ser justificado pela baixa temperatura, alta umidade do ar e menor tempo de treino dos atletas pesquisados por estes autores.
Os melhores resultados de capacidade de hidratação da bebida comercial com relação à bebida teste podem ter sido influenciados pela intensidade do exercício (de leve a moderada) e as condições climáticas (temperatura mais baixa e umidade relativa do ar mais elevada) no dia da ingestão da bebida controle. Entretanto, a bebida teste foi eficiente em manter a perda de massa corporal abaixo de 2%, limite para considerar o indivíduo hidratado.
Considerando-se que o grupo avaliado foi composto por adolescentes que, em geral, não têm informações sobre a importância da hidratação no desempenho físico, é necessário a conscientização dos atletas, bem como pais ou responsáveis e treinadores sobre a ingestão de líquidos e suplementos antes, durante e após os exercícios físicos. Além disso, recomendações individualizadas de ingestão de líquidos podem ser mais efetivas na hidratação desses atletas, já que cada esportista pode ter uma necessidade diferenciada.

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Autores:
Mara Reis Silva I; Carolina de Souza CarneiroI; Paula Azevedo Aranha CrispimI; Núbia Cristina Santos MeloII; Rodrigo Rocha SalesII
IUniversidade Federal de Goiás – Goiânia, Goiás
IIVila Nova Futebol Clube – Goiânia, Goiás, Brasil

9 de outubro de 2013

10:51

Consumo de carboidratos e lipídios no desempenho em exercícios de ultra-resistência


INTRODUÇÃO

A participação em competições desportivas pela população em geral vem aumentando largamente. Dentre essas competições, as que despertam um maior fascínio são as chamadas provas de ultra-resistência ou de longa duração. Segundo Moreira (1996)1, a cada ano verifica-se um número maior de inscrições nos, por ele chamados, "esportes de desafio", como por exemplo as Super e Ultra-Maratonas (a partir de 84km), o Ironman Triathlon (3,8km de natação, 180km de ciclismo e 42km de corrida), provas que duram mais de 24 horas, como o Ultraman Triathlon (10km de natação, 421km de ciclismo e 84km de corrida) e provas de ciclismo que chegam a durar até 30 dias (Tour de France, Vuelta Ciclista a España, Giro de Italia e Race Across America).

Esse crescente interesse na participação em provas de longa duração vem ocasionando também um maior interesse na melhora que a nutrição pode promover sobre o desempenho2.

Segundo McMurray e Anderson (1996)3, a nutrição é um dos fatores que pode favorecer o desempenho atlético, já que, quando bem orientada, pode reduzir a fadiga, permitindo que o atleta treine por mais tempo ou que se recupere melhor entre os treinos; reduzir as lesões ou ajudar na recuperação das mesmas; aumentar os depósitos de energia para a competição; e finalmente por ajudar a saúde geral do atleta.

Em um estudo realizado com ciclistas durante uma competição, Garcia-Rovés et al. (1998)4 observaram que os atletas consumiram uma quantidade acima do recomendado de lipídios, sendo esses provenientes de biscoitos e doces, um baixo volume de líquidos e uma quantidade de carboidratos abaixo do recomendado, concluindo os autores que a educação nutricional dos atletas, principalmente quanto ao consumo de líquidos, é a melhor maneira de se proceder para que estes possam render o máximo possível. Costill e Wilmore (1999)5 acrescentam que atletas de ultra-resistência podem ter problemas em equilibrar o consumo e a demanda energética, o que leva muitos deles a se preocuparem mais com a quantidade do que com a qualidade do que consomem. Ainda, segundo esses autores, muitos atletas procuram por um "alimento mágico" que irá promover um rendimento vencedor. No entanto, a maioria desses produtos e dietas são baseados em testemunhos pessoais, propagandas enganosas, estudos malconduzidos e na má interpretação de pesquisas nutricionais. Por causa disso, treinadores, nutricionistas, atletas e desportistas em geral devem estar sempre atualizados sobre os recursos nutricionais, como e quando utilizá-los.

Portanto, o objetivo desta revisão é elucidar a influência dos carboidratos e dos lipídios no desempenho em exercícios de ultra-resistência.



GASTO ENERGÉTICO E CONSUMO ALIMENTAR

A maior preocupação dos atletas de ultra-resistência é conseguir manter um ritmo considerado ideal durante toda a prova. Para isso, além de um treinamento físico bem direcionado, o atleta precisa consumir uma adequada quantidade de energia para sustentar as demandas do esforço físico realizado.

O substrato energético utilizado pelo organismo vai depender, segundo Basset e Nagle (1996)6 e Stroud (1998)7, da natureza, intensidade e duração do exercício; do consumo alimentar; do ambiente em que é realizado; e de uma variedade de fatores individuais como idade, sexo, peso e composição corporal, tipo de fibra muscular predominante, estado de treino e habilidade técnica.

As principais fontes de energia para os exercícios prolongados são os carboidratos e as gorduras8. No entanto, vem sendo demonstrado que o esforço físico prolongado e a depleção do glicogênio aumentam a parcela de contribuição protéica à demanda energética do exercício6,9.

O custo energético de uma prova de ultra-resistência está diretamente ligado à distância e ao ritmo da prova, da habilidade técnica do atleta e da sua massa corporal1,2,8,10. Dentre as provas de longa duração, as que requerem um maior gasto energético são as provas de corrida, visto que o atleta precisa sustentar o peso do corpo, estando este fato diretamente ligado à massa corporal8,10, e as provas com um tempo de duração mais elevado.

Segundo Miller (1996)2, o gasto energético durante uma competição varia de 5.000kcal (triathlon com 2km de natação, 90km de ciclismo e 21km de corrida) até 18.000kcal (corrida com 24 horas de duração). Stroud (1998)7 cita um gasto energético de 6.430kcal (± 1.190) por dia, durante 7 dias, numa prova de 240km através do Deserto do Saara. Já McArdle et al. (1999)11 relatam que a média do gasto energético durante o Tour de France é de 6.500kcal/dia, podendo chegar a 9.000kcal/dia nos estágios de montanha, e o gasto energético de uma Ultra-Maratona de 1.000km, durante 5 dias, é em média, de 59.079kcal, com gasto diário variando entre 8.600 e 13.770kcal.

Em virtude do grande gasto energético durante as competições e rotinas de treinamento, os atletas de ultra-resistência devem consumir 70% ou mais de carboidratos na dieta1,10,12-14, principalmente na semana anterior à competição. Atualmente, é preferível recomendar o consumo de carboidratos em gramas por quilo de peso corporal, sendo que a quantidade estimada para atletas de ultra-resistência seria de 7 a 10 gramas por quilograma de peso15.

Brouns et al. (1989)16 realizaram uma simulação do Tour de France, em que 13 ciclistas passaram 7 dias em uma câmara respiratória, consumindo uma dieta contendo 60% de carboidratos; relataram que a oxidação de carboidratos foi maior que a ingestão, indicando depleção de carboidrato endógeno e que a taxa de utilização de carboidratos caiu do dia 4 para o dia 5, sendo compensada pelo aumento da utilização de gordura.

Os estudos que descrevem o gasto energético e o consumo alimentar durante as competições são poucos, devido às dificuldades metodológicas relativas à coleta de dados. Saris et al. (1989)17, durante o Tour de France (4.000km, com montanhas de até 2.700m de altitude, durante 22 dias), constataram um consumo médio de 5.881kcal, com máximo de 7.714kcal, e um gasto médio de 6.048kcal, com máximo de 7.786kcal, em que o consumo de carboidratos correspondeu a 62%, o de gordura a 23% e o de proteína a 15%; 49% do consumo energético foi feito durante as etapas, em que 69% foram provenientes de carboidratos.

Da mesma forma, Eden e Abernethy (1994)18, acompanhando um atleta que percorreu (corrida) 1.005km em 9 dias, descreveram um consumo médio de 5.952kcal por dia, com 62% provenientes dos carboidratos, 27% das gordura e 11% das proteínas.

Gabel et al. (1995)19 relataram um consumo médio de 7.125kcal (± 340) durante um percurso de 3.280km, em 10 dias, realizado por 2 ciclistas, sendo 63% da energia consumida provenientes de carboidratos, 27% de gordura e 10% de proteína. Case et al. (1995)20 observaram um consumo energético similar (± 7.350kcal), mas um percentual de carboidratos maior (71%), durante uma Ultra-Maratona realizada em clima frio.

Em uma pesquisa realizada no Rio de Janeiro com participantes de uma prova de Triathlon com distâncias Ironman, Ceddia (1993)21 encontrou um gasto energético superior aos estudos supracitados (8.171,1kcal ± 716,7) e a ingestão energética média durante a competição menor (4.175,6kcal ± 248,7), em que 94,8% foram provenientes de carboidratos.

Mertens et al. (1996)22 acompanharam uma mulher de 43 anos durante uma corrida de 7.250km, Canadá costa-a-costa, em 112 dias (65km/dia), relatando um gasto energético de 5.000kcal/dia e um consumo de 3.976kcal/dia.

Comparando as dietas de treino e pré-competição, Peters e Goetzsche (1997)23 acompanharam 150 homens e 23 mulheres que participaram de uma Ultra-Maratona de 90km; relataram que o consumo energético aumentou nos homens de 2.405 para 3.048kcal (50 para 57% de carboidratos) e nas mulheres de 1.786 para 2.167kcal (49,5 para 56,4% de carboidratos).

Um fato que deve ser considerado em competições que duram vários dias é a dificuldade de se ingerir a quantidade suficiente de carboidratos devido ao curto espaço de tempo entre um estágio e outro da competição e a redução do apetite associada ao esforço excessivo. Dessa forma, torna-se um problema repor os estoques de glicogênio. Outro fato para se considerar é que o grande volume de alimento seja dividido em várias refeições para evitar desconforto causado pela distensão estomacal24.

Sendo assim, observa-se que a ingestão alimentar de atletas em competições de longa duração não representa a demanda energética imposta pelo exercício. Esta conduta pode causar efeitos negativos aos competidores, desde a redução do desempenho a problemas mais sérios de saúde.



INTERVENÇÕES NUTRICIONAIS PARA OTIMIZAR O DESEMPENHO

Frente à grande possibilidade de melhora no desempenho em provas de longa duração que a nutrição pode proporcionar, muitos pesquisadores passaram a estudar recursos nutricionais para melhorar ainda mais o rendimento. Dentre esses recursos, os mais eficazes, tanto antes como durante as competições, são os carboidratos, que estão presentes nas sport bars, nos repositores em gel, nas bebidas energéticas (que também são repositores hidroeletrolíticos) e nas manobras de supercompensação de carboidratos ou sobrecarga glicídica. Outro recurso que vem sendo estudado nos últimos anos é a suplementação de lipídios visando a melhora do desempenho.



CONSUMO E SUPERCOMPENSAÇÃO DE CARBOIDRATOS ANTES DO EXERCÍCIO

A supercompensação de carboidratos é um modelo clássico de manobra alimentar que objetiva aumentar, chegando a dobrar, os estoques de glicogênio muscular e prolongar significativamente o tempo de exercício até a exaustão5. Contudo, esse recurso promove um maior armazenamento de água pelo organismo (para cada 1 grama de carboidrato são armazenadas 3 gramas de água), o que pode causar desconforto em alguns atletas devido ao aumento do peso corporal. No entanto, segundo alguns autores, essa "água extra" pode vir a ser útil na prevenção da desidratação em eventos de endurance2,5,6,11,14,25,26.

Segundo Hawley et al. (1997)27, os estoques de glicogênio muscular, em uma pessoa fisicamente ativa que consome uma dieta equilibrada, estão em torno de 125mmol/kg de músculo úmido, podendo chegar a mais de 200mmol/kg de músculo úmido após um período de supercompensação, sendo que esse aumento melhora o tempo de performance em até 20% e o desempenho em 2 a 3%, em exercícios que durem mais de 90 minutos.

Para esse aumento de glicogênio ser conseguido, diversos protocolos foram desenvolvidos, como por exemplo o citado por Clark (1997)12 e Liebman e Wilkinson (1996)14, que sugerem um "afunilamento" do volume e da intensidade do treinamento durante 6 a 15 dias anteriores à competição e, paralelamente, o consumo de carboidratos é progressivamente aumentado para um valor de 70% ou mais do VET (valor energético total) da dieta durante as últimas 72 horas.

Com relação às refeições pré-competição, recomenda-se a ingestão de alimentos com baixo índice glicêmico. O consumo de carboidratos com alto índice glicêmico antes do exercício aumenta a concentração de glicose sanguínea entre 5 e 10 minutos após sua ingestão, o que resulta numa maior liberação de insulina pelo pâncreas, causando um declínio na glicose plasmática devido ao rápido transporte deste nutriente para os músculos, o que é conhecido como "hipoglicemia de rebote"11. Ao mesmo tempo, a insulina inibe a mobilização de gordura, fato este que pode durar várias horas. Sendo assim, durante o exercício, o carboidrato intramuscular passa a ser catabolizado numa taxa maior que a normal, o que poderia antecipar o aparecimento da fadiga2,11,28. No entanto, segundo McArdle et al. (1999)11, esse mecanismo ainda não está completamente elucidado e, para minimizar os efeitos da ingestão de carboidratos com alto índice glicêmico antes da atividade, o consumo deve ser feito pelo menos 60 minutos antes, para haver tempo suficiente para o restabelecimento do balanço hormonal antes do início do exercício.

Segundo Ribeiro et al. (1998)29, uma refeição pré-competição de baixo índice glicêmico provoca uma menor concentração de glicose e insulina no sangue 30 a 60 minutos após sua ingestão, um maior nível de ácidos graxos livres, uma menor oxidação de carboidratos e um período de realização de 9 a 20 minutos maior durante exercícios de longa duração.

Sendo assim, a refeição pré-competição deve conter de 1 a 5 gramas de carboidrato/kg de peso corporal e acontecer entre 1 e 4 horas antes do início da prova5,11,25,26,28-30.

Burke et al. (1998)31 realizaram um estudo em que 6 ciclistas, em 3 etapas distintas, ingeriram uma refeição pré-exercício de alto índice glicêmico, uma com baixo índice glicêmico e uma geléia de baixo valor energético e, imediatamente antes e durante o exercício (que durou ± 2,5 horas), consumiram uma bebida com 10% de glicose. Concluíram os autores que, quando ocorre o consumo de carboidratos durante a atividade, o carboidrato ingerido antes do exercício possui um pequeno efeito, já que não foram encontradas diferenças significativas entre os 3 grupos. Em um outro estudo realizado por Chryssanthopoulos e Williams (1997)32, 10 corredores foram divididos em 3 grupos; antes do exercício, 2 grupos consumiram uma solução placebo e 1 grupo consumiu uma refeição com alto teor de carboidratos (88% proveniente de alimentos com alto índice glicêmico) e durante o exercício os 3 grupos consumiram uma solução com 6,9% de carboidratos. O grupo que consumiu a refeição mais a bebida apresentou uma melhora de até 28% no tempo total de exercício, quando comparado com os outros 2 grupos. O fato interessante, constatado nos 2 estudos, é que o consumo de alimentos com alto índice glicêmico antes do exercício não causou qualquer tipo de problema, pelo menos quando foram consumidos carboidratos durante o exercício.

Atualmente, concorda-se que a combinação do consumo de carboidratos antes e durante atividades físicas de longa duração promova uma melhora significativa no rendimento28,33.



CONSUMO DE CARBOIDRATOS DURANTE O EXERCÍCIO

Atualmente é amplamente aceito que a ingestão de carboidratos durante os exercícios prolongados irá retardar o aparecimento da fadiga.

Caso não haja consumo de carboidratos durante os exercícios de longa duração, os estoques de glicogênio corporais serão depletados, o que irá provocar uma queda nas concentrações de glicose sanguínea e, como conseqüência, o sistema nervoso central e o metabolismo muscular irão entrar em colapso, provocando a interrupção da atividade2,5,11,26,28,34.

Apesar da melhora no desempenho promovida pela suplementação de carboidratos durante a competição, os atletas não devem aumentar o ritmo (intensidade) nos primeiros estágios de eventos de longa duração, o que poderia provocar fadiga antecipadamente. A ingestão de carboidratos permite que um ritmo considerado ideal seja mantido por um grande período de tempo, proporcionando assim um retardo na fadiga5,11,35.

Hultman e Greenhaff (1992)34 sugerem que o carboidrato seja consumido mais próximo do término da atividade, quando os estoques orgânicos de glicogênio estarão quase que totalmente depletados e, dessa forma, facilitariam a utilização da gordura durante o início do exercício.

Brouns et al. (1989)36, em estudo realizado com 13 ciclistas divididos em 2 grupos, ambos permanecendo no interior de uma câmara respiratória durante 7 dias (2 dias de preparação, um dia de descanso, 2 dias pedalando, 1,5 dia de recuperação), relataram que o grupo que recebeu uma bebida à base de maltodextrina (85%) junto com a sua dieta normal (60% de carboidratos) foi capaz de sustentar o balanço energético durante todos os dias, quando comparado com o outro grupo, que recebeu uma solução de 50% de maltodextrina e 50% de frutose, e quando comparado com os dados obtidos na primeira parte do estudo, na qual os atletas consumiram apenas a sua dieta normal.

A utilização de bebidas contendo carboidratos é amplamente difundida entre atletas e treinadores. Saris et al. (1989)17 salientaram que, durante o Tour de France, 30% dos carboidratos consumidos durante as etapas eram provenientes de bebidas e que essa prática parece ser a resposta para manter o balanço energético e de fluidos em condições extremas de exercício.

Recomenda-se que a concentração de carboidratos fique entre 4% e 8%, devendo-se dar preferência para soluções de polímeros de glicose, que facilitam o esvaziamento gástrico5,11,12,14,24-26,28,29,34,35,37,38 .

Singh et al. (1994)30 recomendam que durante exercícios prolongados sejam consumidos de 250 a 300ml de uma bebida com concentração de 6 a 8% de carboidratos e eletrólitos a cada 30 minutos.

Dennis et al. (1997)39 estimam que aproximadamente 20 gramas de carboidrato consumido são oxidados durante a primeira hora de exercício; sendo assim, orientam para que os atletas devam consumir cerca de 100ml de uma bebida contendo de 3 a 5% de carboidratos, para depois aumentarem essa concentração para cerca de 10% de carboidratos, a fim de igualar a taxa de oxidação da glicose sanguínea (aproximadamente 1 grama por minuto).

Porém, Costill e Wilmore (1999)5 ressaltam que até hoje nenhuma bebida considerada ideal foi desenvolvida, levando-se em consideração as diferentes fases do exercício e a composição de carboidratos e eletrólitos presente no repositor. Além disso, Clark (1998)12 sinaliza para que o atleta experimente bebidas diferentes durante os treinamentos para descobrir com qual ele melhor se adapta.

Um outro recurso muito utilizado pelos atletas de ultra-resistência durante as competições são os repositores em gel ou barra (sports bars). A concentração de carboidratos nestes repositores varia entre 40 e 80%, sendo compostos basicamente por maltodextrina, glicose, sacarose e frutose, o que fornece grande quantidade de energia rapidamente disponível. Além disso, esse tipo de repositor é encontrado nos mais diversos sabores, de frutas a chocolate, o que agrada a maioria dos atletas40.

Rauch et al. (1999)41, em estudo realizado com 6 ciclistas, concluíram que o consumo de uma sports bar contendo uma mistura de 7g de gordura, 14g de proteína e 19g de carboidrato, quando comparada com uma quantidade equicalórica de carboidratos, aumentou a taxa de oxidação de gorduras significativamente em exercício submáximo com duração de 5,5 horas. Porém, 2 ciclistas não completaram uma etapa subseqüente de exercício de alta intensidade quando consumiram a barra, enquanto que todos que consumiram apenas o carboidrato completaram todas as etapas.

Porém, Clark (1998)12 cita que os atletas precisam estar completamente adaptados a esse tipo de repositor, já que a alta concentração e o tipo de carboidrato que eles possuem, o sabor e os demais nutrientes neles contidos podem vir a causar problemas gástricos e intestinais durante a competição.



SUPLEMENTAÇÃO COM LIPÍDIOS

Os carboidratos são o substrato energético para atividades aeróbias de longa duração, porém as reservas corporais de glicogênio são limitadas e podem ser totalmente depletadas em eventos atléticos desta natureza. Sendo assim, pode ser vantajoso otimizar a utilização do lipídio (ácidos graxos livres) como fonte de energia, poupando os estoques de glicogênio para os estágios finais da competição.

Vem sendo sugerido que a capacidade de sustentar o exercício pode ser prolongada se juntamente com os estoques de glicogênio a oferta de lipídios for aumentada imediatamente antes do exercício e, como a taxa de oxidação dos ácidos graxos livres é dependente da concentração sanguínea dos mesmos, algumas técnicas foram desenvolvidas para promover esse aumento: dietas pobres em carboidratos e ricas em lipídios, infusão de emulsões de triglicerídeos e a ingestão de triglicerídeos de cadeia média (TCM)3,11,26,34.

Estudos demonstram que os TCM podem ser uma importante fonte de energia exógena quando combinados com carboidratos. No entanto, a suplementação de TCM combinados com carboidratos (CHO) ainda não demonstrou vantagem, durante o exercício de longa duração, que justifique uma mudança na composição da dieta11,26,42,43.

Sobre isso, Jeukendrup et al. (1996)44, com o objetivo de verificar a taxa de oxidação de TCM, avaliaram 8 atletas de elite, durante quatro sessões de 90min de exercício em bicicleta ergométrica (57% VO2 máx). Os atletas consumiram duas soluções, antes e durante o exercício, uma contendo somente CHO (15%) e outra CHO + TCM. Embora a oxidação total de lipídios tenha aumentado marcadamente, a oxidação de TCM aumentou marginalmente. A contribuição de TCM ao dispêndio energético total foi pequena, em torno de 6-8%.

Os TCM não tendem a ser estocados como gordura corporal devido à sua facilidade de oxidação. Os TCM contêm ácidos graxos saturados com 8 a 10 átomos de carbono. Durante a digestão, os TCM são hidrolisados pela ação da lipase na boca, estômago e intestino em glicerol e ácidos graxos de cadeia média (AGCM). A solubilidade em água dos AGCM permite que eles sejam rapidamente transportados através da mucosa intestinal diretamente para a corrente sanguínea (veia porta). Uma vez nos tecidos, os AGCM são imediatamente transportados através da membrana plasmática, onde eles difundem através da membrana interna da mitocôndria para oxidação, independentemente do sistema carnitina-acetil-CoA transferase. Sendo assim, especula-se que a suplementação com esse tipo de lipídio possa poupar o glicogênio muscular e hepático no decorrer de exercícios aeróbios de alta intensidade11,45.

Em teoria, a ingestão de TCM pode aumentar os níveis plasmáticos de ácidos graxos. No entanto, atletas bem treinados que ingeriram CHO + TCM ou CHO não apresentaram diferença significativa na quebra de glicogênio entre as sessões ou no quociente respiratório (R) durante o exercício. Isto pode ser atribuído à pequena quantidade de TCM (30g) tolerada pelo trato gastrintestinal46. Van Zyl et al. (1996)47 sugeriram que a quantidade de TCM foi pequena para exercer efeitos positivos no rendimento. Eles suplementaram os atletas com 86g de TCM durante 2 horas de exercício seguido por um sessão de 40km, quando observaram uma redução nos estoques de glicogênio e uma melhora no rendimento com a solução de CHO + TCM. Os autores não relataram nenhum desconforto gastrintestinal por parte dos atletas. Contudo, Jeukendrup et al. (1998)48, em um experimento similar oferecendo 86g de TCM em solução de TCM e TCM + CHO, não encontraram resultados positivos no rendimento atlético. No entanto, quando apenas TCM foi ingerido observou-se um declínio na performance relacionado ao desconforto gastrintestinal relatado pelos atletas.

Recentemente, Angus et al. (2000)49, verificando o efeito da ingestão de CHO e CHO + TCM no metabolismo e no rendimento, avaliaram 8 atletas de endurance percorrendo 100km o mais rápido possível, em bicicleta ergométrica. As soluções eram compostas por CHO 6% ou CHO 6% + TCM 4,2% ou placebo, consumidas a cada 15min (250ml). Os resultados demonstraram que a ingestão de carboidrato durante o exercício aumentou o rendimento, comparada com a solução placebo, mas a adição de TCM não resultou em nenhum aumento de performance.

Além da suplementação com TCM, as dietas ricas em lipídios vêm despertando interesse como uma ferramenta auxiliar no aumento do rendimento em provas de endurance, visto que, teoricamente, dietas hiperlipídicas promovem um aumento na capacidade de oxidação de ácidos graxos livres pelo organismo43.

Segundo Hultman e Greenhaff (1992)34, mesmo quando os estoques de glicogênio não estão reduzidos, o consumo de uma refeição rica em lipídios antes do exercício vai reduzir a utilização de carboidratos e aumentar a oxidação dos ácidos graxos livres, até mesmo em intensidades em que o glicogênio muscular é a principal fonte de energia. No entanto, Brooks et al. (1996)25 citam que, apesar dos lipídios serem uma importante fonte de energia durante exercícios prolongados, os atletas não devem consumir quantidades maiores de lipídios na dieta.

Lambert et al. (1997)50 sugerem que uma adaptação dietética à base de lipídios (refeições com mais de 70% de lipídios), durante 2 a 4 semanas antes de eventos de ultra-resistência com intensidade de baixa a moderada (< 70% VO2máx), poderia melhorar o desempenho. Os autores ressaltam que os efeitos da suplementação de lipídios ainda não foram estudados em atividades com intensidades mais elevadas. Da mesma forma, Hawley et al. (1998)51 citam que em atletas de resistência treinados a utilização do substrato energético durante exercício submáximo (60% VO2máx) pode ser significativamente alterada pela ingestão de um dieta rica em lipídios e pobre em carboidrato (60-70% e 15-20%, respectivamente) por um período de 7 a 10 dias. Entretanto, esse tipo de adaptação parece não ter efeito sobre a taxa de utilização do glicogênio muscular e do rendimento em exercícios prolongados com intensidade moderada.

Em estudo interessante desenvolvido por Starling et al. (1997)52, os indivíduos ingeriram uma dieta com alto teor de carboidratos (83%) ou com alto teor de lipídios (68%) durante 12 horas após uma sessão de exercícios em bicicleta ergométrica a 65% VO2máx por 120min. Após 12 horas de jejum, foi realizada biópsia muscular e uma sessão de exercício correspondente a 1.600kj. A dieta rica em lipídios aumentou em 21% a concentração intramuscular de triglicerídeos, ao contrário da dieta rica em carboidratos. Em paralelo a estes resultados, a concentração de glicogênio muscular após a dieta rica em carboidratos foi maior, resultando em melhor rendimento no exercício de 1.600kj, quando comparado à dieta rica em lipídios.

Jeukendrup et al. (1998)42 recomendam cautela na prescrição de dietas hiperlipídicas, uma vez que existem poucas evidências sobre os efeitos desta intervenção no rendimento de atletas de endurance.

Sendo assim, observa-se que não existem evidências científicas suficientes que justifiquem a suplementação de TCM durante o exercício ou o consumo de dietas ricas em lipídios nas semanas que antecedem um evento de ultra-resistência.



CONCLUSÃO

Vem sendo demonstrado, ao longo dos últimos anos, que a manipulação dietética pode ser empregada como fator otimizante do desempenho de atletas de ultra-resistência.

Os atletas ou praticantes de provas de longa duração precisam de uma alimentação adequada às necessidades energéticas da modalidade esportiva da qual participam.

Atletas de ultra-resistência devem consumir aproximadamente 70% ou mais, ou de 7 a 10 gramas por quilograma de peso corporal de carboidratos em suas dietas diárias, podendo vir a aumentar essa percentagem dias antes da prova para promover um aumento nas reservas corporais de glicogênio. O consumo de carboidratos durante a competição deve ser encorajado, principalmente através de soluções contendo esse nutriente, pois além de fornecer energia irá repor fluidos e eletrólitos perdidos durante o esforço. Um volume de 250ml de uma solução contendo de 4 a 8% de carboidratos a cada 30 minutos parece ser o ideal. Os carboidratos em forma de gel ou barras são outra forma muito utilizada pelos atletas, porém, a adaptação a esse tipo de repositor deve ser testada, pois tanto a concentração de carboidratos como o sabor podem vir a causar problemas gástricos.

A utilização de lipídios como suplemento ainda precisa de mais estudos que confirmem a sua eficácia. Esses e alguns outros aspectos nutricionais relacionados com exercícios de ultra-resistência merecem maiores e mais profundas investigações; com o aumento da popularidade desse tipo de competições, esse é um campo que tende a crescer ainda mais.

Sendo assim, atletas de ultra-resistência devem sempre seguir as orientações do(a) seu(sua) técnico(a), que deve trabalhar diretamente em conjunto com um(a) nutricionista, e ambos precisam estar sempre bem atualizados, para que a melhora do desempenho nas competições possa ser alcançada com sucesso e de forma saudável.



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Autores:

Antonio Marcio Domingues FerreiraI; Beatriz Gonçalves RibeiroII; Eliane de Abreu SoaresII

IEscola de Educação Física e Desportos - Universidade Federal do Rio de Janeiro, Centro de Capacitação Física do Exército, Rio de Janeiro, RJ
IIInstituto de Nutrição - Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, RJ

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