24 de abril de 2013

O uso de esteróides anabólicos androgênicos por praticantes de musculação




Em programas de treinamento que continuam por vários meses ou anos, o limite no aumento de força é determinado pela habilidade do atleta em continuar a responder ao treinamento pelo aumento do tamanho do músculo. À medida que se aproxima do limite superior do aumento da força, aumentos no tamanho do músculo e, conseqüentemente, na força, são muito difíceis de se realizarem. Essa dificuldade mais a falta associada de progresso e a frustração podem explicar a “aventura” de usar esteróides anabólicos para estimular maiores aumentos na hipertrofia muscular e na força. (Simão, 2003. p. 132.) A busca de formas alternativas para alcançar vitórias (no esporte) ou um corpo ideal, leva ao indivíduo à procura por métodos, substâncias e equipamentos que promovam ganhos, levando-os a consumir hormônios esteróides e outros com propriedades anabolizantes. (Cabral, Santos. 2009). Dentre os recursos ergogênicos, que são definidos como substâncias ou fenômenos que produzem trabalho e que, acredita-se melhoram o desempenho. (Powers; Howley, 2009. p. 562). Os esteróides anabólicos androgênicos (EAA) pertencem a classe dos fármacos, e tem tido um número cada vez maior de adeptos no Brasil, conforme apresentado no II levantamento domiciliar sobre uso de drogas psicotrópicas no Brasil, em 2005, com 7.939 entrevistas validadas, percebeu-se que o uso de EAA subiu de 0,3 para 0,9% da população entrevistada, quando comparado ao mesmo estudo feito em 2001. (CEBRID – Centro Brasileiro de Informações Sobre Drogas Psicotrópicas. p 61. 2005). Segundo o I levantamento nacional sobre o uso de álcool, tabaco e outras drogas entre universitários das 27 capitais brasileiras publicado no ano de 2010 com 17.573entrevistas. 3,8 % da população entrevistada fizeram uso de EAA pelo menos uma vez na vida. (OBID, p. 56. 2010) Conforme Silva e colaboradores, (2002). Os hormônios esteróides anabólicos androgênicos compreendem a testosterona e seus derivados. Eles são produzidos nos testículos e no córtex adrenal, e promovem as características sexuais secundárias associadas à masculinidade. Na medicina, os EAA são utilizados geralmente no tratamento de sarcopenias, do hipogonadismo, do câncer de mama e da osteoporose. Hormônio é uma substância química secretada, em pequenas quantidades, na circulação sangüínea e que, transportada até os tecidos-alvos e produz uma resposta fisiológica. (Cunha et al, 2004). A molécula de testosterona sozinha não é eficiente quando injetada ou tomada oralmente, pois é muito susceptível a metabolização (ou inativação) relativamente rápida pelo fígado. Conseqüentemente, a estrutura química da testosterona teve que ser modificada para contornar esse problema. (Carvalho et al. 2007) Há dois tipos de EAA, os 17-alfa não alquilados e os 17-alfa alquilados. Os primeiros, que sofrem processo de aromatização, aumentam a produção de estrógeno e testosterona circulante, com conseqüente inibição do eixo hipotálamo-hipofisário-gonadal, provocando grande anabolismo. Também podem causar alterações nas características sexuais masculinizantes, como ginecomastia, atrofia testicular, etc. A maioria dos EAA desse tipo tem administração injetável. Já os 17-alfa alquilados não sofrem processo de aromatização e, por isso, inibem em menor proporção o eixo hipotálamo-hipofisário-gonadal. Tem bom efeito anabolizante com baixo efeito de inibição androgênica. No entanto, por serem metabolizados principalmente no fígado, seus efeitos adversos sistêmicos sobre órgãos e tecidos são mais drásticos, podendo ocasionar e desencadear diversas alterações metabólicas, dermatológicas e hepáticas. (Alves, Santos. 2010 p.359). Acredita-se que o mecanismo fisiológico in vivo da ação dos EAA é semelhante aquela da testosterona endógena (difusão do agente EAA pela membrana celular), formando um complexo análogo da testosterona/receptor que então se liga ao núcleo, estimulando a síntese de RNA mensageiro (RNAm) e um aumento na proteína estrutural e contrátil. Outros possíveis mecanismos de ação incluem ligação competitiva a receptores de glicocorticóides, que inibe o efeito catabólico do cortisol, e ação neural direta por meio de ligação a receptores andrógenos de α-motoneurônios e do tecido cerebral. (Garret; Kirkendal, 2003. p. 407) O Exercício Físico pode alterar os níveis de reserva de glicogênio, fato evidenciado pelo mecanismo de supercompensação do glicogênio. A testosterona também desempenha papel fundamental no processo de armazenamento deste substrato. Animais castrados apresentam diminuição nas reservas de glicogênio, causada pela redução da função enzimática da glicogênio sintetase e aumento da glicogênio fosforilase. A reposição hormonal com doses fisiológicas de testosterona reverte este quadro, estimulando a glicogênese e inibindo a glicogenólise. Desta forma, o uso de doses supra-fisiológicas de EAA, associado ao treinamento resistido, também poderia estimular este processo, aumentando as reservas de glicogênio e por conseqüência a performance atlética. (Cunha, 2004). Alguns possíveis efeitos desejados Os esteróides anabolizantes apresentam efeitos de manutenção protéica, anticatabolismo e modulação do cálcio, e associados à regeneração muscular, proporcionam um auxílio na velocidade de recuperação de fibras lesadas, além do aumento do diâmetro da fibra. (Tavares et al, 2008) Balanço nitrogenado positivo, aumento da massa da musculatura esquelética, aumento do número de hemácias, aumento da concentração de hemoglobina, aumento da deposição de cálcio na matriz óssea, redução do percentual de gordura. (Weineck, 2005. p. 598) Os EAA na presença de uma dieta e de um treinamento adequados podem contribuir para os aumentos no peso corporal, o mais das vezes no compartimento da massa magra. (McArdle et al, p.567. 2008). Alguns possíveis efeitos adversos A maioria dos efeitos colaterais esta relacionada as propriedades androgênicas dos EAA. No sistema reprodutor masculino estão descritas diversas alterações como hipogonadismo hipogonadotrófico, oligospermia ou azoospermia, hipertrofia prostática, carcinoma prostático e atrofia testicular. Nas mulheres é comum os aparecimentos de caracteres sexuais secundários masculinos como pilificação acentuada, allterações da voz, atrofia mamária, atrofia uterina, amenorreia e hipertrofia do clitóris. (Araújo, 2003) O esteróide anabólico pode inibir a síntese de colágeno tanto em ligamentos quanto em tendões e produzir mudanças no arranjo das fibrilas de colágenos nestes últimos, levando a alterações críticas da plasticidade tendínea, resultando em um desenvolvimento insuficiente destes com relação ao rápido aumento de força do músculo. (Boff. 2008) Em nível psicológico são relatados mudanças de humor, comportamento agressivo, depressão, hostilidade, surtos psicóticos e adições. (Santos et al, 2006). Contudo, segundo Weineck (2005. p. 604). Um efeito positivo desta agressividade aumentada é a motivação também aumentada para o treinamento e a competição, um fator que influencia a capacidade de desempenho esportivo de maneira não-desprezível. Ou seja, a questão da agressividade torna-se relativa não podendo ser vista somente como fator negativo do uso dos EAA. Alguns estudos revelam que os EAA podem causar dependência, eventualmente levando a síndromes de abstinência que podem desencadear crises comportamentais. (Martins et al, 2005) Segundo McArdle et al, (p.566. 2005) a possibilidade rara, porém incontestável de efeitos colaterais deletérios induzidos pelos EAA, particularmente aqueles administrados por via oral, supera grandemente qualquer efeito ergogênico potencial. O ACSM - American College of Sports Medicine deplora o uso de EAA por atletas. Em um estudo recente realizado no Brasil envolvendo 20 usuários de EAA (Venâncio e colaboradores, 2010) considerou que o uso dos esteróides anabolizantes causa efeitos deletérios sobre inúmeras variáveis fisiológicas. Além disso, o uso abusivo dessas substâncias, em específico, pode levar ao comprometimento da função neuroendócrina, com o apareci­mento de efeitos colaterais decorrentes da mudança desse balanço hormonal e prejudicar a capacidade reprodutiva do homem, poten­cializar o aparecimento de câncer na próstata e ginecomastia. No presente trabalho, verificou-se que dentre os inúmeros esteróides anabólicos androgênicos existentes, três são utilizados pelos usuários na academia em que foi realizada a pesquisa, são eles o Durateston (decanoato de testosterona, fempropionato de testosterona, isocaproato de testosterona e propionato de testosterona) a Deca Durabolin (17-Decanoato de Nandrolona) e o Hemogenim (Oximetolona). Supõe-se que estes esteróides são os preferidos devido ao baixo preço e a relativa facilidade em conseguí-los. Entre os usuários em geral existe uma cultura de caráter não científico sobre a melhor maneira de usar os EAA conforme a finalidade pretendida. Informações podem ser obtidas em manuais ou transmitidas oralmente por outros usuários, que descrevem o resultado conseguido por experiência própria. (Silva. Moreau. 2003). Retirado daqui


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