27 de dezembro de 2013

10:22

Nutricionistas dão dicas de como lidar com a comilança de fim de ano


Chester com pasta de pequi e queijo parmesão  (Foto: Adriano Zago)

As principais responsáveis pelo ganho de peso no final de ano são as comidinhas servidas nas confraternizações que antecedem o Natal, e não a ceia propriamente dita. Pratos típicos dessa ocasião, como peru, chester e lombo de porco, tem pouca gordura e podem ser comidos sem culpa.

A nutricionista Camila Gracia, do Hospital do Coração (HCor), observa que as pessoas costumam entrar em um "processo de engorda" nessa época. "Tem amigo secreto da empresa, festa do condomínio, festa do filho na escola... Nesses eventos, a pessoa acaba exagerando e é isso que leva ao ganho de peso", diz. A especialista lembra que ceia e almoço de Natal são só duas refeições que, sozinhas, tendem a não provocar grande impacto.

Outro costume que contribui para a engorda é o hábito de fazer uma quantidade de comida muito maior do que o necessário para essas refeições especiais. "As pessoas fazem muita comida e continuam comendo isso ao longo dos dias. Se na ceia teve pudim, por exemplo, a pessoa vai comer pudim de sobremesa a semana inteira", diz Camila. 

Ceia e almoço de Natal
Para essas ocasiões, uma forma de evitar o exagero é limitar o número de opções na mesa. "Uma boa dica é servir um tipo de carne, dois acompanhamentos diferentes e uma bela salada com legumes e folhas variadas", diz a nutricionista Ariana Fernandes, da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (Abeso).

Lombo Suíno (Foto: Reprodução/RPC TV)O lombo de porco é um alimento considerado 
saudável, por conter baixo índice de gordura.
(Foto: Reprodução/RPC TV)

O lombo de porco e o peru são considerados saudáveis. Mas, no caso de a pessoa não poder comer gordura alguma, o ideal é retirar a pele do peru. Isso pode ser feito no prato ou até antes de assá-lo. Nesse caso, é indicado acrescentar azeite e colorau por cima da ave, para que ela fique mais dourada.

Algumas substituições simples também podem reduzir a contagem de calorias. Em vez de optar pela maionese caseira, feita com ovo e óleo, pode-se optar pela industrializada, que tem bem menos gordura. Na maionese, também é interessante colocar menos batata e mais legumes como vagem, cenoura e ervilha, segundo Camila. Para uma farofa mais saudável, o bacon e os embutidos devem ser substituídos por legumes, frutas secas e castanhas.

Segundo os nutricionistas, é importante que uma salada também faça parte das refeições. Ariana sugere que o prato seja feito com folhas verdes e legumes ralados, além de frutas coloridas para decorar.

Para a sobremesa, a dica da nutricionista Alline Cristina Schüncke é escolher as que são feitas com fruta. "As pessoas não devem abrir mão da sobremesa porque é uma época especial do ano. Claro que vai ter açúcar e gordura, mas por que não torná-la mais saudável?", diz. Como exemplo de doces refrescantes, ela cita mousse de maracujá e iogurte natural com calda de frutas vermelhas.

Suco desintoxicante, feito com frutas e folhas, pode ser uma opção para quem exagerou nas comidas e bebidas de fim de ano. (Foto:  Raphael Gunther/Vitalin)Suco desintoxicante, com frutas e folhas, é opção
para quem exagerou. (Foto: Raphael Gunther/Vitalin)

Álcool
Segundo Alline, as pessoas geralmente esquecem que o álcool é responsável por grande parte das calorias consumidas nessas ocasiões. "O álcool contribui bastante para o ganho de peso. Ele tem em torno de sete calorias por grama. Para quem quer uma dieta saudável, a gente recomenda que se limite a uma dose de destilado ou uma dose de vinho ou duas latas de cerveja", diz. Entre uma bebida e outra, é importante tomar água para diminuir os efeitos da ressaca.

Saúde do coração
Camila Gracia, do HCor, alerta para um hábito perigoso de quem tem de tomar diariamente remédios para pressão alta. "Tem muita gente que pensa: 'como vou exagerar, não vou tomar o remédio'. Isso está errado. Pelo contrário, quando se exagera, aí é que tem que cuidar para tomar o medicamento direito", diz a nutricionista.

No dia seguinte
Se o exagero for inevitável, ainda é possível por em prática um plano de "redução de danos". A nutricionista Alline diz que uma boa opção para o café da manhã do dia seguinte aos exageros é preparar um suco desintoxicante. Feito com suco de laranja, couve, alface, salsinha, fibra de maracujá e açúcar mascavo, a bebida é nutritiva e contribui para o bom funcionamento do intestino. O líquido também pode ajudar a curar os efeitos da ressaca.

"Se a pessoa acabou exagerando na ceia de Natal, o importante é no outro dia voltar à rotina alimentar em vez de comer tudo o que sobrou do dia anterior. É importante não achar que está tudo perdido e continuar comendo em grandes quantidades", diz Ariana.

Mariana Lenharo Do G1.

15 de dezembro de 2013

20:50

Desidratação e calor intenso: conseqüências


A combinação da atividade física com o calor intenso impõe um desafio significativo para o sistema cardiovascular.

Sempre que líquidos forem eliminados por meio do suor mais rapidamente do que são repostos, a pessoa estará em um processo de desidratação. A hipohidratação modifica muitas variáveis fisiológicas durante o exercício, e quando combinada ao calor intenso, resulta num desempenho físico prejudicado, com a inabilidade do sistema cardiovascular em manter o mesmo débito cardíaco.

Existe também uma relação linear entre o grau de hipohidratação e a temperatura corporal central, isto porque a hipohidratação prejudica a função de regulação térmica, fazendo com que o exercício no calor fique ainda mais difícil.

A hipohidratação tem um impacto progressivamente negativo no desempenho do exercício, pois o estresse provocado pelo calor tem um efeito potencializador na redução da capacidade aeróbica. Sendo assim, o organismo entrará em fadiga mais cedo nas atividades aeróbicas como, por exemplo, caminhadas e corridas.

O efeito negativo da hipohidratação na função termoregulatória aumenta o risco de exaustão e choque térmico. O mau funcionamento dos rins também tem sido associado à desidratação e às altas temperaturas corporais durante o esforço feito no calor intenso.

Um problema muito comum é a câimbra pelo calor ou câimbra muscular associada ao exercício (CMAE). Esta contração involuntária e dolorosa da musculatura esquelética que ocorre durante ou imediatamente após a atividade, é comumente relacionada à sudorese profusa (abundante) durante o exercício no calor.

Para minimizar estes riscos aí estão algumas dicas:

*A atividade física regular irá beneficiar a sua saúde. Alcançar maior nível de aptidão física, irá melhorar sua habilidade de tolerar o estresse pelo calor.

*Quando está quente e úmido, o exercício torna-se mais difícil e o desempenho comprometido. Para isso, reduza a intensidade e/ou a duração. Vista roupas claras, leves e soltas e procure áreas mais frescas com sombra ou vento.

*Mantenha-se bem hidratado, beba água antes, durante e após a atividade física.

*Siga as instruções de um profissional de educação física para realizar atividade exercícios consciente. Respeite sempre seu limite.

12 de dezembro de 2013

11:10

Dieta da proteína traz emagrecimento rápido, mas com contraindicações

Carne vermelha e queijo amarelo são a base da dieta da proteína 

Criticada por médicos e nutricionistas, a dieta da proteína é a saída que muitas mulheres encontram para perder peso rápido — até sete quilos em menos de um mês. Ela consiste em cortar os carboidratos (pão, massas e arroz, por exemplo) do cardápio diário, onde só são permitidos carne vermelha, queijo, ovos e frango.

O que ocorre no organismo é que, com menos carboidratos, o índice de açúcar no sangue se reduz, o que derruba em 80% a produção de insulina pelo pâncreas. Para compensar a baixa, o mesmo órgão libera o hormônio glucagon, de efeito contrário ao da insulina. Com mais glucagon, a gordura acumulada no corpo é quebrada e transformada em açúcar. Esse mecanismo gera perda rápida e notável de peso, em média, de sete quilos em até um mês.

O efeito colateral disso é que diminui a absorção de cálcio, aumentando os riscos de osteoporose, e altera o PH do sangue (porque muda o funcionamento das células), além de aumentar o acúmulo de gordura no fígado.

Pães estão proibidos na dieta da proteína

A nutricionista Patrícia Davidson teme ainda pelo baixo conteúdo de fibra e antioxidantes para quem só pode comer proteínas:

— Há outras versões de dietas da proteína, em que há faixas de liberação de carboidrato. Mas se o paciente se descuidar e ingerir mais carboidrato do que deve, a o ciclo metabólico se quebra e o peso volta ao normal rapidamente.

Dieta Dukan

Uma dessas versões foi adotada pela princesa Kate Middleton, antes mesmo do casamento com o príncipe William. É a dieta Dukan, criada pelo nutricionista francês Pierre Dukan há dez anos, e que virou febre na Inglaterra. É uma versão moderna — e mais complicada — da dieta da proteína e promete a perda de até quatro quilos por semana.

O programa é dividido em quatro fases.

1ª fase:

Só pode ingerir alimentos proteicos (carnes magras, frutos do mar, frango sem pele e iogurte, por exemplo). Não é permitido usar manteiga ou azeite ou complementar a refeição com vegetais. Além disso, é preciso beber muita água — pelo menos três litros ao dia — para eliminar toxinas.

2ª fase:

Depois de dez dias, legumes e verduras são inseridos na alimentação (segunda fase), com restrições como milho, arroz, ervilhas e batata.

3ª fase:

Atingida a meta desejada, começa a terceira etapa, que consiste em manter o peso, repetindo o cardápio da fase anterior, com direito a uma fruta por dia e duas refeições livres por semana.

4ª fase:

A quarta etapa é a de manutenção. Nela, nada é proibido, desde que se use o bom senso.

Efeitos colaterais:

Pode causar mau hálito, boca seca e prisão de ventre. A longo prazo, pode sobrecarregar os rins, aumentar o nível do colesterol e o risco de gota. Em algumas pessoas, pode causar enjoos, fadiga e dores de cabeça.


08:53

Como usar a Whey Protein para emagrecer


A Whey Protein tem sido utilizada com muito sucesso nas dietas de emagrecimento pelos seguintes motivos:

a) Contribuem para o aumento do percentual relativo de massa magra do corpo, e a massa magra é um tecido altamente ativo, que gasta calorias para se manter vivo ao contrário das gorduras que são um peso morto,

b) Ajudam a saciar a fome e a controlar o apetite, pois liberam colicistoquinina (CCK), que é um conhecido agente regulador do apetite no organismo humano, também ajuda a saciar a fome, pois as proteínas tem tempo de digestão mais prolongados do que os carboidratos deixando mais duradoura a sensação de saciedade,

c) A proteína não estimula a insulina da mesma forma que os carboidratos, e é a insulina que transporta a gordura para dentro dos adipócitos (células reserva de gordura/compartimentos de reserva) e impede que a gordura seja utilizada como fonte de gordura, utilizando shakes de proteína

d) Em dietas para perda de peso, é muito comum a perda conjunta de massa magra, e aumentando assim a entrada de proteínas de alto valor biológico tem ação um efeito anticatabolico, que significa proteger a massa magra e perder somente gordura. Quando o programa alimentar está bem regulado, é perfeitamente possível perder gordura e ganhar massa muscular simultaneamente,


e) Na ausência de carboidratos ou gorduras, o metabolismo digestivo gasta até 30% mais energia para digerir as proteínas, e em dietas de emagrecimento essa estratégia de aumentar as proteínas e reduzir os carboidratos tem sido utilizada com muito sucesso, mas é importante salientar que as proteínas devem vir de fontes limpas e de alto valor biológico (Whey Protein, Clara de Ovo, peixe). Quando baixa-se a gordura para o percentual desejado, vão se adicionando mais carboidratos de boa qualidade na dieta, em conjunto com exercícios, principalmente a musculação, para permitir assim a ativação da massa magra para assegurar a vitalidade do metabolismo em manter o peso perdido e evitar o efeito sanfona.

 

Dicas para perder peso utilizando a Whey Protein:


- Tome de 1 a 2 shakes de proteína por dia, no café da manhã e no jantar

- Escolha uma proteína de sabor que lhe agrade e bata o shake com água, pois dessa forma o valor calórico do shake fica bem reduzido. Se tiver muita dificuldade em ingerir o shake somente com água, utilize leite desnatado ou leite de soja light sabor natural. Uma outra opção para quem não quer enjoar sempre do mesmo sabor da proteína é comprar uma proteína sem sabor (existem proteínas de sabor neutro, como o Baunilha mais suave).

- Caso sinta falta de um doce a noite você pode misturar a Whey Protein com um pouco de leite desnatado em pó, (aproximadamente 2 colheres de sopa para cada dose de 30g de proteína - 1 scoop), e mais um pouco de água (meia xícara) , e preparar uma espécie de mousse (se a proteína for sabor chocolate o mousse fica sabor chocolate) e misturar nesse mousse uma fruta de baixo índice glicêmico. Pode ser mamão, pêra, maça ou ameixa preta seca sem caroço.

No café da manhã, uma boa dica de como começar o dia de forma saudável e induzindo o metabolismo a emagrecer é a seguinte:

Exemplo de Programação

- Ao acordar: (ingira meio copo de água morna, esquentada por 15 seg no microondas)

Café da Manhã:

- 1 shake de proteína com 1 dose de proteína e 200ml de Leite de Soja Light sabor natural

- 1 fatia de pão integral com 1 fatia grossa de queijo branco ou geléia light

- ½ mamão papaya

- 2 castanhas do Pará

De que forma essa configuração de café da manhã ajuda a emagrecer?

- Shake de proteína: Fornece proteínas de qualidade para o organismo pela manhã para repor a quantidade perdida na recuperação do corpo a noite, para prevenir a perda de massa magra que sempre ocorre nas dietas de emagrecimento e para acelerar o metabolismo pela manhã pela ingestão da proteína que como vimos faz o corpo gastar mais energia para absorver.

- Fatia de pão integral: fornece uma pequena quantidade de carboidratos de glicemia controlada ao corpo, por conter grãos mais inteiros tem uma maior quantidade de fibras que ajudam na absorção de todos os nutrientes

- Fruta: Além de vitaminas e sais minerais, a fruta pela manhã também vai conter frutose, um açúcar que entra rapidamente na corrente sanguínea para dar energia para começar um novo dia, mas não se converte em gordura pela ação da insulina como os outros doces e açúcares mais artificiais.

- Castanhas – Fornecem gorduras saudáveis para o organismo, para ajudar na parte funcional, ajuda também a controlar o colesterol ruim, melhorar o HDL e varias outras funções do corpo.

Resumindo, você pode emagrecer utilizando a Whey Protein, acrescente ela na sua alimentação, nunca corte os carboidratos, mas use os de baixa glicemia, não abandone as frutas, verduras e os grãos. Tomar muita água pura também ajuda muito a emagrecer, porque a falta de água faz o corpo entrar em um estado de alerta e então começa a reter os líquidos para se defender. Pratique exercícios diariamente para um resultado verdadeiro e definitivo.

Fonte

26 de novembro de 2013

16:20

A importância da alimentação na prática de atividade física



"Uma correta nutrição ajuda a evitar a fadiga, otimiza o período de recuperação, diminui o risco de lesões, além de  garantir a correta reposição dos estoques de energia".

Para aqueles que praticam alguma atividade física com regularidade, a alimentação é um fator fundamental para garantir um bom resultado. Por isso, ela deve ser equilibrada e completa, permitindo que o corpo realize todas as suas funções adequadamente e alcance uma boa performance.

Uma correta nutrição ajuda a evitar a fadiga, otimiza o período de recuperação, diminui o risco de lesões, além de  garantir a correta reposição dos estoques de energia. Por outro lado, não atingir as demandas nutricionais adequadas pode prejudicar a recuperação pós-treino e comprometer a saúde dos indivíduos.  Por isso, é indispensável o acompanhamento de um nutricionista para avaliar quais nutrientes deverão ser inseridos na alimentação do praticante, de forma que ele alcance seus objetivos sem desenvolver uma carência nutricional.

Na elaboração de uma dieta para o desportista devem ser levados em conta diversos fatores como as rotinas de treino, os tipos de atividades, os hábitos alimentares, o histórico familiar de doenças, o percentual de gordura, a massa muscular, entre outros.

Na hora de se alimentar, antes ou depois dos treinos, é bastante comum aparecerem dúvidas em relação ao que ingerir. A recomendação nesse sentido é a de sempre: após os exercícios, priorizar a ingestão de carboidratos e proteínas numa relação de 3:1, respectivamente. 

Não existe tempo mínimo padrão recomendado para realizar uma refeição antes do início da atividade física. Isso vai depender do tipo de exercício e, principalmente, da tolerância do praticante em relação à alimentação pré-treino. No entanto, é correto afirmar que a refeição pós-treino deve ocorrer o mais rápido possível (nos primeiros 20 minutos) após o fim do exercício.

Outro fator importante que deve ser considerado na prática de exercícios físicos é a hidratação. Sabe-se que a atividade física proporciona uma maior perda de água e sais minerais e, por isso, fique atento à ingestão adequada de líquidos. A água é uma boa opção se o exercício não durar mais que 90 minutos. Acima disso, ou quando o objetivo é realmente performance, deve-se partir para o consumo de isotônicos. A quantidade de líquido a ser consumido varia de pessoa para pessoa e do clima no qual ela se exercita, mas, entre 500 e 1000 ml por hora, é uma boa estimativa.

Um fator que merece ressalva é o alto índice de consumo de suplementos por frequentadores de academias e praticantes de atividades físicas. Essa prática é bastante arriscada, sobretudo em longo prazo, em função da possibilidade de ocasionar problemas no fígado e no rim.  O fato é que o suplemento não faz mágica e muitos desportistas o consomem de forma errada ou desnecessária. Por exemplo, uma pessoa que já come muita proteína não deveria comprar um suplemento que tenha mais proteína. Infelizmente algumas pessoas acham que, quanto mais, melhor. Mas isso é um grande erro.

13 de novembro de 2013

21:37

Emagrecer muito rápido pode ser prejudicial à saúde

Pessoa andando de bicicleta

Você olha no calendário e vê que a data "daquela" festa está chegando. Escolhe a roupa mais bonita e, na hora de prová-la, descobre que ela não fecha ou nem mesmo entra. O que fazer? Muitas pessoas acham que a saída é fazer uma daquelas dietas radicais, que prometem perda rápida de peso. Essa também é, geralmente, a escolha de quem exagerou no fim de semana ou nas férias. E ainda há quem opte por esta "solução" sempre que a balança avisa que o peso aumentou. "Mas nem sempre perder peso significa realmente emagrecer", alerta a endocrinologista Andressa Heimbecher.

A perda de peso pode ser decorrente da perda de gordura, de músculos ou apenas de líquidos – a temida desidratação. Emagrecer é quando conseguimos reduzir o percentual e a quantidade de gordura no nosso organismo.

Segundo ela, a forma mais saudável de emagrecer é fazer exercícios físicos e reeducar-se para ter, constantemente, uma alimentação saudável. Tudo com acompanhamento médico. "Infelizmente, não existe fórmula mágica. O ideal é que, ao fazer dieta, possamos perder vários quilos de gordura, mantendo a massa muscular, para então melhorar o metabolismo", diz a especialista. De acordo com ela, o mais saudável é fazer uma avaliação individualizada para saber quanto cada pessoa pode emagrecer por período – o mais adequado gira em torno de meio a um quilo por semana.

Problemas à vista

O problema das dietas radicais, que prometem perda de peso rápida e em grande quantidade é que, muitas vezes, elas privam o organismo também de nutrientes essenciais – como vitaminas e sais minerais. A falta de substâncias como sódio, potássio, selênio, zinco, fósforo, cálcio e magnésio pode levar a problemas nos intestinos, incluindo cólicas intestinais, vômitos, diarreia e até arritmias cardíacas graves.

Por isso, o nível de vitaminas deve ser monitorado frequentemente. "A perda de peso deixa de ser saudável quando a pessoa fica desnutrida", afirma Andressa. Durante esse tipo de dieta, também, o corpo passa a usar massa muscular como fonte de energia, diminuindo essa reserva que deveria ser preservada.

Só proteína

Uma das dietas extremas mais populares é a dieta da proteína. Seu resultado é rápido, pois retira da alimentação seu principal componente: o carboidrato, que corresponde a até 55% de uma alimentação normal. Com a diminuição das calorias ingeridas, perde-se peso. A especialista lembra, entretanto, que com a retirada da farinha da alimentação perde-se também uma das mais importantes fontes de ácido fólico. Sem carboidratos, sentimos fadiga, mal estar e irritabilidade.

E há ainda riscos. Dietas em que as pessoas consomem grande quantidade de proteína sem o consumo adequado de água podem ocasionar desde a sobrecarga nos rins até mesmo convulsões em casos muito extremos. Eliminar completamente a gordura da alimentação também é ruim. O cérebro entende que a pessoa está passando fome e lança mão de mecanismos hormonais para que a pessoa passe a comer.

Além da intervenção do cérebro para estimular a fome, acontece uma redução do metabolismo porque também diminui o hormônio da tireóide nos tecidos, como forma do corpo poupar energia – exatamente o oposto do que se espera numa dieta. Há ainda uma liberação excessiva de cortisol – que estimula retenção de líquidos e ganho de peso –, já que o corpo entende a dieta extrema como uma situação de estresse.

Por isso, mesmo que a roupa esteja apertada, melhor do que recorrer às dietas emergenciais é fazer um plano para emagrecer de maneira saudável. O resultado pode ser bem mais duradouro.

Fonte

23 de outubro de 2013

10:54

Avaliação do conhecimento nutricional de atletas profissionais de atletismo e triathlon



O consumo adequado de alimentos e bebidas deve nortear os princípios de um plano alimentar saudável, e a escolha destes alimentos também precisa ser adequada para suprir as necessidades energéticas e de nutrientes(1). Entretanto, a prática de exercícios físicos exige um foco diferenciado no acompanhamento nutricional, devido especialmente à intensidade e duração de cada exercício, bem como o nível de condicionamento do atleta(2,3). Com isso, a educação nutricional torna-se relevante, pois auxilia a compreensão dos fatores preditores do comportamento alimentar e ajuda a criar condições que facilitam a escolha de alimentos saudáveis, tanto para pessoas sedentárias quanto para as fisicamente ativas(4).
O conhecimento nutricional pode ser definido como um constructo científico criado por educadores nutricionais para representar o processo cognitivo individual relacionado à informação sobre alimentação e nutrição(5). Ele facilita a escolha dos alimentos, tanto no intuito de prevenir doenças crônicas não transmissíveis(6) quanto para melhorar o desempenho atlético(7,8). Existem instrumentos para medir o conhecimento nutricional de diferentes populações. A escala sobre conhecimento nutricional para uso no Nacional Health Interview Survey Cancer Epidemiology utilizada para testar se o conhecimento nutricional sobre prevenção de câncer correlacionava-se com práticas alimentares que, realmente, prevenissem a doença, foi desenvolvida por Harnack et al.(6). Esta escala foi, posteriormente, traduzida para o português falado no Brasil por Scagliusi et al.(9). Além da tradução, esta escala foi adaptada para o Brasil, visto que alguns dos alimentos questionados não eram amplamente consumidos no território brasileiro. Nicastro et al.(10) publicaram, recentemente, resultados da aplicação pioneira desta escala de conhecimento nutricional em uma população brasileira praticante de exercícios físicos e, com isso, abriu-se uma nova perspectiva de estudos na área de avaliação do conhecimento nutricional em atletas e esportistas, com o uso de um questionário validado.
Reconhecendo a importância do conhecimento nutricional para fazer escolhas acertadas na alimentação, torna-se importante que atletas possuam o domínio deste tema. Sabendo-se que pessoas praticantes de triathlon e atletismo, mais precisamente competidores de provas como o Ironman e a maratona, possuem uma elevada demanda energética do atleta, estas escolhas alimentares precisam ser adequadas para suprir suas necessidades energéticas. Ainda, por se tratar de esportes individuais, acredita-se na necessidade de um adequado conhecimento nutricional, pois nem sempre existem momentos de trocas de conhecimento com colegas de equipe. Portanto, o objetivo deste estudo é a avaliação do conhecimento nutricional de atletas de atletismo e triathlon, através dos resultados da aplicação da escala de conhecimento nutricional traduzida e adaptada(9).

MÉTODOS
Delineamento do estudo
O presente estudo tem caráter transversal para avaliar o conhecimento nutricional de atletas profissionais de atletismo e triathlon.
Caracterização da população e amostra
A população estudada foi composta por atletas de atletismo e triathlon, devidamente federados, com idade entre 18 e 65 anos de ambos os sexos, que treinam na pista de atletismo do Centro Estadual de Treinamento Esportivo (CETE), Usina do Gasômetro e pista de atletismo da Sociedade de Ginástica de Porto Alegre (SOGIPA), todos localizados na cidade de Porto Alegre, RS, Brasil. A amostra foi composta por atletas que aceitaram voluntariamente participar da pesquisa, mediante a assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido em duas vias previamente aprovadas pelo Comitê de Ética e Pesquisa do Centro Universitário Metodista IPA (protocolo 444/2008). Foram excluídos os indivíduos que tivessem frequentado o curso de graduação em Nutrição ou que fossem profissionais nutricionistas formados, devido ao fato de que este público já teria um conhecimento nutricional avançado. A coleta de dados foi realizada nos locais de treinamento citados anteriormente, nos períodos pré ou pós-treino ou competição onde os mesmos foram orientados a responder da maneira mais honesta possível.
O cálculo do tamanho da amostra foi realizado baseando-se na prevalência de que aproximadamente 13% dos indivíduos avaliados possuem alto conhecimento sobre nutrição(9,10). Tendo conhecimento que nossa amostra abrange indivíduos com grande interesse em nutrição, sugerimos uma proporção de que 17% dos indivíduos terão alto conhecimento sobre nutrição. Admitindo-se um teste monocaudal com poder de 80% e nível de significância de 5%, o tamanho da amostra obtido foi de 50 atletas.
Descrição do instrumento de coleta dos dados
As informações sobre conhecimento nutricional foram obtidas utilizando-se o questionário desenvolvido por Harnack et al.(6) e, posteriormente, traduzido, adaptado e validado para o Brasil por Scagliusi et al.(9). Este questionário contém 12 questões com pontuações específicas, e os dados foram posteriormente tabulados em banco de dados do Excel® 2007. Para classificação do conhecimento nutricional, utilizou-se os critérios de acordo com a validação brasileira(6): pontuações totais entre zero e seis indicam baixo conhecimento nutricional; entre sete e 10 indicam moderado conhecimento nutricional e acima de 10 indicam alto conhecimento nutricional. O conhecimento nutricional foi classificado como satisfatório quando a pontuação foi superior a sete.
Também foram coletados dados para a caracterização da amostra, como idade, sexo, escolaridade, tempo de treino, se já consultou nutricionista e se faz uso de suplemento alimentar. Foram avaliadas as variáveis "escolaridade" e "acompanhamento nutricional" para correlacionar o nível de conhecimento nutricional de acordo com o gênero e idade.
Análise estatística
Para expressar os dados contínuos e categóricos de caracterização da amostra, foram utilizadas frequências absolutas (médias e desvios padrão) e relativas (%). Para avaliar a associação entre as variáveis categóricas, foi utilizado o teste exato de Fisher. O teste de correlação de Pearson foi utilizado para correlacionar as variáveis numéricas do questionário de conhecimento nutricional e o tempo de treinamento em anos. O nível de significância aceito foi de p < 0,05.

RESULTADOS
Os dados de caracterização da amostra encontram-se na tabela 1. Os atletas eram, em sua maioria, do sexo masculino e praticantes de triathlon. Não houve diferença significativa na pontuação geral da escala de conhecimento nutricional entre os praticantes das modalidades atletismo e triathlon (9,3 ± 2 e 9,8 ± 2,3 respectivamente, p = 0,158) e, com isso, optou-se por mostrar os resultados de ambas as categorias de uma forma única. O tempo de treino médio corresponde a aproximadamente 10 anos, e a maioria dos atletas (80%) fazia uso de suplementos alimentares. O conhecimento nutricional dos atletas, avaliado através da aplicação da escala de conhecimento nutricional, foi considerado satisfatório, uma vez que 90% da amostra tiveram conhecimento nutricional classificado como "moderado" e "alto".


tabela 2 mostra a associação do conhecimento nutricional com algumas variáveis selecionadas. Não houve diferença no conhecimento nutricional entre os atletas do sexo masculino e feminino. Entre aqueles que informaram ter consultado o nutricionista, a maioria (94,3%) tinha conhecimento nutricional moderado ou alto, enquanto que entre aqueles que relataram não ter consultado o nutricionista, esta proporção foi mais baixa (80%), embora a diferença não tenha sido significativa. Ainda, o fato de tomar suplementos ou ter frequentado um curso superior não alterou o conhecimento dos avaliados.


tabela 3 traz os resultados da associação entre o acompanhamento nutricional e as variáveis "escolaridade" e "uso de suplementos". A frequência de consulta a um profissional nutricionista foi maior entre aqueles atletas que frequentaram um curso superior (p = 0,002). Ainda, os 12 atletas com nível de pós-graduação já tinham realizado consulta nutricional. Já dos sete atletas com nível médio completo ou incompleto, apenas um relatou a consulta nutricional. Adicionalmente, estes atletas que fazem ou fizeram o acompanhamento nutricional, informaram consumo de suplementos nutricionais de forma mais acentuada do que aqueles que não fizeram o acompanhamento (p < 0,01).


Não houve correlação estatisticamente significativa entre o tempo de treinamento e a pontuação obtida na escala de conhecimento nutricional (r = 0,024, p = 0,651). Com isso, treinar a mais tempo não alterou o conhecimento nutricional na amostra estudada.

DISCUSSÃO
O principal achado do presente estudo foi que, em sua maioria, os atletas possuem satisfatório conhecimento nutricional. Cabe salientar que, até o presente momento, apenas quatro estudos originais utilizaram a escala do presente estudo(9-12). Este fato torna-se um fator limitante para a discussão dos nossos resultados. Entretanto, este é um tema de grande interesse para a população do meio esportivo, uma vez que um bom conhecimento nutricional por parte dos atletas poderia aprimorar o desempenho esportivo. Com isso, ressalta-se a necessidade de outros estudos avaliando o conhecimento nutricional dos atletas, utilizando uma escala validada e adaptada como a utilizada neste estudo. Embora a escala tenha sido inicialmente idealizada para verificar a existência de correlação entre o conhecimento nutricional e práticas de prevenção de câncer, ela está sendo utilizada em outras populações pelo fato de não existir outro questionário validado no Brasil para avaliar o conhecimento nutricional.
Na validação deste questionário, Scagliusi et al.(9) aplicaram o questionário em mulheres com transtornos alimentares e estudantes de nutrição, que obtiveram pontuação de 7,4 ± 2,6 e 10,5 ± 1,7, respectivamente. Mulheres vegetarianas e onívoras apresentaram pontuação de 10,6 ± 1,7 e 8,7 ± 2,3, respectivamente, com a aplicação desta instrumento(11). Mesmo não sendo atletas, a pontuação do questionário nos estudos anteriores foi bastante semelhante à encontrada no presente estudo (9,6 ± 2,2), com exceção das mulheres com transtornos alimentares, que apresentaram pontuação mais baixa. Outros estudos que avaliaram a pontuação de atletas de atletismo e judô encontraram pontuação de 8,9 ± 1,7(10) e 6,9 ± 2,2, respectivamente(12). A discrepância nos valores encontrados com a aplicação do questionário em atletas de diferentes esportes demonstra a necessidade de educação nutricional para este público, principalmente enfocando a prevenção de doenças crônicas não transmissíveis.
Especula-se que o grau de instrução possa interferir no conhecimento nutricional. Nicastro et al.(10) avaliaram o conhecimento nutricional de atletas profissionais e amadores de atletismo com esta mesma escala, e verificaram que os atletas amadores obtiveram pontuação significativamente maior que o grupo de profissionais. Uma justificativa para este achado seria o fato de que atletas profissionais teriam maior dedicação ao esporte e, com isso, menor disponibilidade para estudos. Mesmo que estes autores não tenham encontrado correlação significativa entre anos de estudo e pontuação no questionário, a escolaridade foi superior no grupo de atletas amadores. No presente estudo, não foi verificada associação significativa entre a escolaridade em nível superior e o conhecimento nutricional dos atletas, assim como em outro estudo que avaliou conhecimento nutricional de atletas de judô(12). Este achado pode ser explicado parcialmente pelo alto nível de escolaridade da amostra, em que 82% relataram terem frequentado um curso de graduação.
Além da escolaridade, a área de aperfeiçoamento também interfere no conhecimento nutricional. No estudo realizado por Zawila et al.(13), verificou-se que 22% das atletas que haviam concluído um curso de nutrição (13 de 60 atletas) obtiveram uma pontuação mais elevada no questionário de conhecimento nutricional quando comparados com as demais atletas. Nas questões pertinentes à nutrição esportiva, especialmente, este público apresentou uma pontuação significativamente maior do que as atletas não vinculadas a um curso de nutrição. Ainda, Scagliusi et al.(9) também verificaram que estudantes de nutrição possuem maior conhecimento nutricional do que pessoas com transtornos alimentares. Com isso, no presente estudo excluiu-se um fator de confusão que poderia afetar a análise dos dados.
No presente estudo, não se verificaram diferenças significativas entre o conhecimento nutricional e o sexo dos atletas. Nicastro et al.(10) encontraram maior pontuação na escala de conhecimento em atletas do sexo feminino. Embora as mulheres possuam maior interesse em nutrição, principalmente porque possuem maior preocupação com estética e composição corporal(11), outros fatores também podem ter influenciado o resultado do presente estudo. Embora o conhecimento nutricional não tenha sido associado com a escolaridade, dos 29 atletas que tinham curso superior completo ou pós-graduação, 22 destes (75,9%) eram do sexo masculino. Essa informação pode justificar parcialmente uma pontuação maior na escala de conhecimento por parte dos atletas do sexo masculino, mesmo sem diferenças significativas.
Na literatura científica, outros instrumentos foram utilizados para avaliação do conhecimento nutricional de atletas. Raymond-Parker et al.(14) avaliaram o conhecimento nutricional de 59 atletas do sexo feminino suscetíveis à tríade da mulher atleta utilizando o General Nutrition Knowledge Questionnaire (GNKQ)(15). Os autores verificaram uma pontuação na escala superior quando comparada com 32 mulheres não treinadas controle, sugerindo que as atletas possuem maior conhecimento nutricional do que as não atletas. Outros autores não encontraram uma maior pontuação no questionário de conhecimento nutricional de atletas quando comparado a um grupo controle não treinado(11,16-18). No entanto, é importante ressaltar que estes estudos são mais antigos, e atualmente a propagação do conhecimento em mídias eletrônicas facilitou o acesso às fontes de informações acerca de saúde e alimentação saudável.
Neste estudo, verificou-se que o conhecimento nutricional destes atletas não está associado ao acompanhamento por profissional nutricionista. Entretanto, outros estudos na literatura apontam a importância do acompanhamento nutricional para o desenvolvimento de bons hábitos alimentares. Smith-Rockwell et al.(19)conduziram um estudo para avaliar o conhecimento nutricional, opiniões e práticas de treinadores (n = 53) de atletas da primeira divisão universitária. De forma geral, os treinadores responderam de forma correta 67% das questões. Os dados demonstraram que todos os treinadores faziam recomendações dietéticas gerais durante os treinamentos, e que 30% dos treinadores relataram recomendar aos atletas que procurassem um especialista em nutrição, a mesma porcentagem dos que citaram que trabalhavam com um nutricionista regularmente. Outro estudo com este mesmo objetivo demonstrou que 70% dos treinadores responderam corretamente às questões acerca de nutrição, mas apenas um terço indicou um alto grau de certeza nas suas respostas(8). Com isso, salienta-se a importância do profissional nutricionista na orientação adequada de pessoas engajadas em práticas esportivas.
É crescente o número de atletas que fazem uso de suplementos nutricionais, com o objetivo de melhorar o desempenho no esporte. Esta questão referente à suplementação alimentar precisaria ser alvo de uma discussão mais ampla no meio esportivo, envolvendo aspectos de educação nutricional e motivação para o esporte. Embora não tenha sido verificada significância estatística na associação entre o uso de suplementos e conhecimento nutricional, este fato pode ser atribuído ao pequeno tamanho amostral. Mesmo respeitando o número mínimo de pessoas avaliadas apontadas no cálculo do tamanho amostral, uma amostra maior poderia revelar associações não visualizadas no presente estudo. Com isso, sugere-se que estudos posteriores avaliando conhecimento nutricional sejam realizados com uma maior participação de voluntários.
Em conclusão, verificou-se um conhecimento nutricional considerado satisfatório na amostra estudada. É necessário que outros estudos acerca desta temática sejam executados, para termos um panorama do conhecimento nutricional de atletas profissionais. Ainda, torna-se importante avaliar o conhecimento de atletas de outras modalidades, assim como comparar a diferença do conhecimento entre profissionais de esportes individuais e em grupo. Com isso, podemos ampliar o conhecimento acerca do papel da nutrição para o rendimento esportivo, bem como elucidar a importância deste tema para atletas e treinadores.

REFERÊNCIAS
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17 de outubro de 2013

02:23

Beber água antes da refeição pode ajudar a perder peso, revela estudo


Uma pesquisa feita por cientistas dos Estados Unidos afirma que beber água antes das refeições ajuda as pessoas a perderem peso.

Cientistas do Estado americano da Virgínia afirmam que pessoas que estão em dieta podem perder cerca de 2kg a mais se elas beberem pelo menos dois ou três copos por dia antes das refeições.

A pesquisa foi apresentada em um congresso nacional da Sociedade Americana de Química, em Boston.

Todos os adultos que participaram da pesquisa tinham entre 55 e 75 anos de idade. A teoria dos cientistas foi testada em 48 adultos, divididos em dois grupos, ao longo de 12 semanas.

Ambos os grupos seguiram dietas de baixa caloria, mas um deles bebeu água antes das refeições.

Ao longo de 12 semanas, as pessoas que beberam água perderam cerca de 7kg, enquanto os demais perderam em média 5kg.

Um estudo anterior já havia mostrado que pessoas que bebem até dois copos de água antes de cada refeição ingerem de 75 a 90 calorias a menos.

Calorias

Uma das autoras da pesquisa, Brenda Davy, da universidade Virginia Tech, acredita que o fato de se encher o estômago com um líquido sem calorias antes das refeições faz com que menos calorias sejam consumidas.

"As pessoas deveriam beber mais água e menos bebidas adocicadas e com muita caloria. É uma forma simples de se facilitar o controle do peso", afirma Davy.

Segundo a cientista, bebidas dietéticas e com adoçantes artificiais também podem ajudar as pessoas a reduzir o consumo de calorias, ajudando a perder peso.

No entanto, ela disse que bebidas com muito açúcar precisam ser evitadas. Uma lata de refrigerante comum contém, em média, 10 colheres de chá de açúcar.

A pesquisa foi financiada pela entidade Institute for Public Health and Water Research, que realiza estudos sobre água e saúde pública.

Fonte: BBC Brasil

16 de outubro de 2013

10:53

Efeito de suplemento hidroeletrolítico na hidratação de jogadores juniores de futebol




O futebol tem características bastante peculiares em relação à hidratação, principalmente pelo fato de não possuir pausas regulares para que os jogadores possam ingerir líquidos durante os jogos. Antes do início da partida e no intervalo são as situações em que o jogador tem a garantia de consumir líquidos(1,2).
Os jogadores de futebol podem perder até três litros ou mais de suor durante um jogo. O estado crônico de desidratação e o estresse térmico durante um jogo de futebol podem limitar o desempenho e ser prejudiciais ao jogador, sendo comum observar temperaturas corporais acima de 39ºC após partidas de futebol(3).

A ingestão de líquidos contendo eletrólitos e carboidratos durante o exercício é extremamente benéfica para o jogador, uma vez que minimiza os efeitos da desidratação. A reposição de líquidos deve ser proporcional a alguns fatores, tais como: intensidade do exercício, condições climáticas, aclimatação do atleta, condicionamento físico e características individuais fisiológicas e biomecânicas(1).

A presença de eletrólitos, principalmente o sódio, pode auxiliar no processo de hidratação, aumentando a palatabilidade, a absorção de glicose e água(4). O desempenho é otimizado quando ocorre ingestão concomitante de água, eletrólitos e carboidrato. A glicose, além de aumentar a captação de água, fornece substrato energético para a atividade física e confere mais sabor à solução, estimulando a ingestão de maiores quantidades de líquidos. A solução ideal deve conter cerca 5% a 10% de carboidratos e 20-30meq/L sódio(4,5). Além disso, os líquidos devem ter temperatura menor do que a ambiente (entre 15ºC e 22ºC) e com sabor atraente para o consumo(6).

O presente trabalho foi proposto com a intenção de testar uma bebida hidratante de fácil elaboração e de baixo custo, considerando-se a importância da hidratação para o bom desempenho do futebol. Assim, esta pesquisa teve como objetivo avaliar a hidratação de jogadores sub-18 do Vila Nova Futebol Clube após a ingestão do suplemento hidroeletrolítico mais aceito em teste afetivo.

METODOLOGIA
Para avaliação da hidratação foram elaborados três suplementos hidroeletrolíticos. A fórmula básica das bebidas foi preparada com uma única concentração de sal (1,48g/L) e quantidades variadas de carboidrato, suco de fruta (laranja), açúcar (sacarose) e maltodextrina, conforme as recomendações do American College of Sports Medicine(5). As bebidas foram preparadas com duas concentrações de carboidratos: 6% e 8%, e foi utilizado um suplemento comercial como controle, com 6% de carboidrato (Tabela 1).


A aceitação dos suplementos hidroeletrolíticos foi avaliada por meio de teste afetivo em laboratório com 40 consumidores potenciais de bebidas esportivas não treinados. Os voluntários participaram da análise sensorial após assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (protocolo nº 046/09).
A aceitação global (sabor, odor e textura) e aparência foram avaliadas de forma monádica, em laboratório. A escala hedônica estruturada de nove pontos foi usada para análise da aceitabilidade global e aparência(7). A formulação mais aceita (ponto de corte 6: gostei levemente) foi selecionada para a avaliação da hidratação.
Foram realizadas análises de osmolalidade do suplemento comercial (controle), e do suplemento elaborado de maior aceitabilidade, com auxílio de um osmômetro de pressão de vapor (VAPRO Modelo 5520, Wescor, 370 West 1700 South Logan, Utah, EUA).
A amostra foi constituída por nove jogadores de futebol, do sexo masculino, da categoria sub-18 de um time de futebol, que participavam regularmente de competições da Federação Goiana de Futebol em Goiás (Brasil).
O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Federal de Goiás (protocolo nº 046/09). A pesquisa foi realizada após assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido pelos atletas com 18 anos de idade ou pelos responsáveis.
Inicialmente, foi realizada uma anamnese alimentar com os atletas, usando-se um formulário padronizado para coleta de informações sobre as características pessoais, culturais, situação de saúde, hábitos alimentares e de hidratação.
O suplemento hidroeletrolítico mais aceito na análise sensorial e o suplemento comercial (controle) foram submetidos aos testes de hidratação realizados no Centro de Treinamento do Clube, com intervalo de uma semana entre as bebidas. Para assegurar a adequada hidratação dos esportistas, eles foram instruídos a consumir água frequentemente um dia antes do estudo e ingeriram 500mL de água uma hora antes do treino.
Todos os atletas foram submetidos ao mesmo tipo de treinamento, consistindo em 30 minutos de treino físico com uma intensidade igual ou superior ao jogo, seguidos de 10 minutos de intervalo e 50 minutos de treinamento coletivo (simulação de um jogo com subdivisão em dois times), resultando em 80 minutos de treino.
Durante os testes, foi oferecido a todos os jogadores 200mL de suplemento controle ou teste em garrafas plásticas individuais, devidamente identificadas pelo pesquisador em um intervalo de 15 em 15 minutos, até completar uma hora e 30 minutos de treinamento (80 minutos de treino e 10 minutos de intervalo) e a ingestão de água foi padronizada em 300mL para todos os jogadores, totalizando 1.200mL de líquidos.
A hidratação foi avaliada de acordo com as variáveis: intensidade do exercício, tempo de movimentação, densidade de urina, diferença de massa corporal, grau de desidratação e taxa de sudorese. Cada jogador foi acompanhado, individualmente, por um observador, previamente instruído sobre o estudo. A temperatura ambiente e a umidade relativa do ar no dia da realização dos testes foram obtidos no 10º Distrito de Meteorologia de Goiânia do Instituto Nacional de Meteorologia.
Para avaliar a intensidade do treinamento, cada jogador teve sua frequência cardíaca monitorada com auxílio de frequencímetro (Polar Electro, Professorintie 5, Oulu, Finlândia) em um intervalo de cinco minutos para cada medida.
Para a determinação da intensidade foram utilizados os percentuais de frequência cardíaca máxima (FCmáx), previstos a partir da equação apresentada a seguir. A classificação da intensidade de exercícios foi determinada de acordo com a classificação de Denadai e Greco(8): muito leve < 35 %, leve 35-54, moderada 55-69 e pesada 70-89 FCmáx.
FCmáx = 220 - idade (anos)
Durante 80 minutos de treinamento, o tempo de movimentação foi aferido com auxílio de um cronômetro digital, sendo registrado o tempo de movimentação do jogador, desconsiderando-se a direção e a posse da bola. Quando o jogador realizava uma pausa, o cronômetro era parado e reiniciado com o retorno do deslocamento corporal.
Para realização da densidade de urina foi solicitado aos jogadores que fornecessem uma amostra em coletores individuais de 80mL, antes e após cada jogo (cerca de 15 minutos). A determinação da densidade foi realizada em triplicata com auxílio de refratômetro (Passed), no máximo duas horas após a coleta, no Laboratório Rômulo Rocha da Faculdade de Farmácia da Universidade Federal de Goiás. Os coletores com as amostras foram transportados em caixa de isopor e armazenados em refrigeração (cerca de 4ºC) até o momento da análise.
A massa corporal foi aferida antes da coleta de urina em balança portátil tipo plataforma, digital, de 150kg de capacidade e sensibilidade de 0,1kg (Plenna, Rua Javaés, 640, Bom Retiro – São Paulo, SP, Brasil), com o indivíduo vestido de calção, descalço e sem a utilização de acessórios. A aferição ocorreu antes e após o treinamento, sem considerar as correções para ingestão de líquidos. A mudança na massa corporal foi obtida pela diferença entre os valores antes e depois do treino.
O grau de desidratação foi calculado a partir da medida da massa corporal, conforme a equação descrita a seguir:
% desidratação (DH) = (mudança na massa corporal − volume urinário durante o treinamento) / massa corporal inicial x 100
Para a determinação do volume urinário, durante o treinamento, os jogadores foram instruídos a urinar em recipientes individuais graduados em mL, localizados no vestiário do Clube.
A taxa de sudorese em L/h foi mensurada por meio da massa corporal e ingestão hídrica, de acordo com a equação proposta por Horswill(9):
Taxa de suor = [massa corporal inicial (kg) + ingestão hídrica (L)] - [massa corporal final (kg) + volume urinário] / tempo (min) x 60
Os resultados da análise sensorial foram analisados por meio de análise de variância (ANOVA) e teste de média de Tukey com 5% de probabilidade, além da análise do histograma de frequência (escores de aceitação versusporcentagem de provadores). Os dados pessoais, antropométricos e do estado de hidratação foram analisados por estimativa de mediana e percentis obtidos com auxílio do programa Epi Info (versão 6.04). Para comparação dos dados da análise de hidratação das bebidas controle e teste foi utilizado o teste não paramétrico de Wilcoxon e o programa Statistical Package for the Social Sciences (SPSS) 10.0 para Windows, (α = 0,05).

RESULTADOS
As médias de aceitação global e da aparência das bebidas 2 e 3 não diferiram significativamente entre si (Tabela 2). No entanto, a bebida 3 foi selecionada para os testes de hidratação, uma vez que atingiu o ponto de corte (6: gostei levemente).


Os resultados hedônicos confirmam que a bebida com 8% de carboidrato (bebida 3) obteve escores iguais ou superiores a 6 (gostei levemente) de 70% dos provadores.
A osmolalidade do suplemento comercial, composto por 6% de carboidrato, foi de 300mOsmol/kg e do suplemento teste, formulado com 8% de carboidrato, foi de 232mOsmol/kg.
Os atletas estudados apresentavam variação de idade de 17 a 18 anos, com mediana de estatura de 1,74m, de massa corporal de 65kg e de frequência cardíaca máxima (FCM) de 203 batimentos por minuto (bpm).
Todos os atletas declararam não fazer uso de bebida alcoólica e cigarro, e quanto a problemas gastrointestinais dois indivíduos apresentaram gastrite. Realizavam de quatro a cinco refeições diárias e a ingestão hídrica habitual era de mais de dois litros de água por dia. Apenas em dias de jogos utilizavam, além da água, suplemento hidroeletrolítico comercial ad libitum sem intervalo de tempo determinado, como estratégia de hidratação.
A variação por hora de temperatura e umidade relativa conforme o tempo gasto na atividade de campo e para coleta de dados está mostrada na tabela 3. Houve pequena variação da temperatura nos três dias de pesquisa, sendo que o dia destinado à administração da bebida controle foi o que ocorreu a menor temperatura e a maior umidade relativa.


Os resultados das variáveis usadas para avaliar o efeito da hidratação das bebidas controle e teste estão mostrados na tabela 4. No presente estudo, verificou-se uma maior intensidade de exercício, avaliada de acordo com a frequência cardíaca, para a bebida teste quando comparada com a bebida controle. Já o tempo de movimentação em relação à bebida teste foi significativamente menor do que a bebida controle (p = 0,008).


Não houve diferenças significativas entre os dois tratamentos realizados em relação à densidade urinária antes e depois dos 80 minutos de treino (p = 0,20).
A mediana de perda de massa corporal dos atletas com ingestão da bebida teste (0,9kg) foi maior (p = 0,012) quando comparado à ingestão da bebida controle (0,10kg). Verificou-se que houve perda de massa corporal de todos os atletas, imediatamente após o treino, com a ingestão das duas bebidas (controle e teste), com exceção de um atleta que ganhou 200g de massa corporal nas duas situações.
Em relação ao grau de desidratação, houve diferença significativa entre os tratamentos (p = 0,1); a mediana para a bebida controle foi de 0,18%, enquanto para a bebida teste foi de 1,64%. Também houve diferença significativa entre os tratamentos para taxa de suor (p = 0,1), sendo que os menores valores foram para a bebida controle (0,87).

DISCUSSÃO
Conforme o teste de aceitação dos suplementos hidroeletrolíticos formulados, a bebida 3 com 8% de carboidrato atingiu o ponto de corte 6. Provavelmente, o sabor adocicado característico do suco de fruta tenha interferido positivamente na aceitação, uma vez que a aceitação diminuiu com a redução do percentual de suco de laranja.
A bebida teste teve menor valor de osmolalidade do que a bebida controle. Shi e Gisolfi(10), em estudo de meta-análise sobre a reposição de fluidos e carboidratos durante exercícios intermitentes, relataram que a osmolalidade de soluções é, provavelmente, o primeiro
determinante da absorção de água no intestino. Estes autores constataram que suplementos com osmolalidade variando de 250 a 370mOsmol/kg têm maior capacidade de hidratação.
Ainda que tenham sido utilizadas as recomendações do American College of Sports Medicine(5) para carboidrato e sódio, de suplementos hidroeletrolíticos, a osmolalidade da bebida teste ficou levemente abaixo de 250mOsmol/kg. Esta pode ser classificada como hipotônica quando comparada a osmolalidade do plasma de indivíduos euhidratados (286mOsm/kg). Evans et al.(11) relataram que as soluções hipotônicas têm uma melhor efetividade na reidratação quando comparadas às soluções hipertônicas, que podem ser inadequadas, por provocarem movimento de água para o intestino delgado e reduzirem o ritmo de esvaziamento gástrico e absorção intestinal.
Evans et al.(12) também avaliaram, em 12 indivíduos do sexo masculino, o efeito de soluções com concentração de glicose e osmolalidade de 0% e 0mOsm/kg, 2% e 111mOsm/kg, 5% e 266mOsm/kg e 10% e 565mOsm/kg, respectivamente, e observaram que a ingestão da solução hipertônica (10% de glicose) resultou em uma diminuição do volume plasmático e levou ao surgimento de água no intestino delgado que, provavelmente, originou-se do volume vascular.
Verificou-se uma variação das condições de temperatura e umidade entre os dias de ingestão de bebida controle e teste, sendo a maior diferença para a umidade relativa. A menor temperatura e maior umidade no dia de realização da pesquisa com a bebida controle pode ter favorecido os resultados da hidratação. No entanto, a interferência da temperatura foi baixa, haja vista a pequena variação entre os três dias de pesquisa. É possível que os atletas, no dia de ingestão da bebida teste, tenham tido maior evaporação da sudorese, por causa da umidade ambiente mais baixa, embora no dia da bebida controle a umidade elevada possa ter favorecido o aumento da sudorese, mas dificultado a sua evaporação. Neste caso, provavelmente, a maior intensidade do exercício tenha sido um diferencial nos dias da bebida teste.
A intensidade do treinamento é um dos fatores de maior interferência na perda de massa corporal durante o exercício. Existe uma relação proporcional entre a intensidade do exercício e o desgaste físico, que, por consequência, afeta negativamente a massa corporal e a performance do atleta(13). A maior intensidade do exercício no treino com a bebida teste possivelmente influenciou os resultados da hidratação.
O atleta está bem hidratado com valores de densidade urinária menores que 1.010, minimamente desidratado com valores entre 1.010 e 1.020, significativamente desidratado com densidades entre 1.020 e 1.030 e severamente desidratado com valores acima de 1.030(14). A mediana de densidade de urina antes do treinamento foi 1.021 para a bebida controle e 1.015 para a bebida teste. Apesar da recomendação de ingestão hídrica no dia anterior aos testes e de ingestão de 500mL uma hora antes do treino, todos os atletas iniciaram o treinamento desidratados, com exceção de um jogador (Tabela 4).
Os jogadores terminaram o treino com ingestão de bebida controle e teste mais desidratados. O valor de densidade urinária pré-exercício de 1.020 a 1.030 é considerado comum para jogadores de futebol profissional(15). Na presente pesquisa, a densidade urinária de todos os jogadores aumentou no final do treino. Entretanto, três jogadores com ingestão de bebida controle e quatro com ingestão de bebida teste terminaram o treino com densidade urinária abaixo de 1.020.
Finn e Wood(16) avaliaram, por meio de densidade urinária, o estado de hidratação pré-jogo de 93 atletas de futebol (n = 32), voleibol (n = 43) e basquetebol (n = 18) em uma competição sob condições climáticas tropicais e obtiveram uma média de 1,020 ± 0,008 para estes atletas. No entanto, os jogadores de futebol foram considerados os mais desidratados, visto que 48% foram classificados como significativamente e extremamente desidratados, o que se assemelha ao presente estudo em que 55,5% dos atletas estavam significativamente desidratados (densidade urinária maior que 1.021), antes de iniciar o treino com a bebida controle e 33% com a bebida teste.
Godek et al.(15) analisaram o estado de hidratação de 10 jogadores adultos de futebol americano, com média de idade de 21,2 anos, durante cinco dias de treinamento pré-competição, com médias de temperatura e umidade relativa de 28,4ºC e 64,9% no período da manhã e 34,5ºC e 43% a tarde, respectivamente. Os atletas foram orientados a ingerir pelo menos 500mL de água nas noites anteriores aos treinos. As densidades de urina antes e após os treinos indicavam desidratação crônica (valores maiores que 1.020), embora os jogadores tenham consumido água e suplementos nos intervalos dos treinos.
Os resultados relatados pelos autores descritos anteriormente reforçam a ideia de que atletas, em geral, começam a prática de esportes em condições de desidratação. Atletas que iniciam exercícios prolongados desidratados, principalmente em climas tropicais, estão mais propensos a efeitos adversos na função cardiovascular, regulação da temperatura e desempenho no exercício(16).
A perda de massa corporal durante a prática esportiva é uma medida real da hipohidratação em atletas, além da densidade urinária(17). Considera-se desidratação quando o percentual de perda de massa for maior que 2% da massa corporal inicial(14,18).
A maior perda de massa nos dias de ingestão da bebida teste, provavelmente, foi causada pela elevada intensidade de exercício e pela baixa umidade em comparação ao dia de ingestão da bebida controle. Ostojic e Mazic(19), em estudo com um protocolo semelhante ao realizado, observaram uma perda média de massa corporal de 0,9kg e de 1,4kg para sete atletas de futebol que ingeriram bebida com 7% de carboidrato e água, respectivamente, a temperatura ambiente de 24,5ºC e 50% de umidade do ar. Estes resultados estão próximos aos observados no presente estudo para bebida teste.
O ganho de massa corporal em atletas que ingerem maiores quantidades de líquidos em proporção à quantidade que foi perdida no suor é mais evidente quando o indivíduo está em estado hidratado antes da prática de exercício(18).
No presente estudo, o atleta que ganhou peso após o treino nos dois tratamentos encontrava-se pelo menos minimamente desidratado, com valores de densidade de urina 1.022 e 1.015 para bebida controle e teste, respectivamente. O ganho de massa corporal desse atleta pode estar relacionado à sua intensidade de trabalho, que variou de leve a moderada em todos os dias de teste, diferenciando-se dos demais atletas, o que possivelmente permitiu uma menor perda hídrica em comparação aos demais atletas pesquisados. Godek et al.(15)também observaram ganho de massa de 3,64kg em um jogador de futebol americano, dentre 10 pesquisados, após uma sessão de treino pela manhã.
O grau de desidratação pode ser determinado por meio da mudança de massa corporal e reflete, em termos percentuais, o quanto o jogador se desidratou ao longo do jogo(14). Os atletas concluíram a partida mais desidratados com a ingestão de bebida teste; contudo, o limite de 2% de perda de massa corporal não foi ultrapassado (tabela 4).
Guttierres et al.(20) compararam o efeito do consumo de bebida esportiva cafeinada em relação à bebida carboidratada comercial sobre o balanço hídrico de 20 jogadores juniores de futebol, em temperaturas médias de 32ºC e umidade relativa do ar de 47%, e relataram valores médios de grau de desidratação 1,1 ± 0,7% para bebida cafeinada e 0,7 ± 0,6% para bebida carboidratada. Neste caso, a bebida carbonatada comercial teve resultados melhores que os obtidos no presente trabalho para bebida teste, embora o grau de desidratação tenha sido superior aos resultados da bebida controle.
A taxa de sudorese é um indicativo de perda de fluidos e expressa o quanto de suor o indivíduo é capaz de perder por unidade de tempo. A média das taxas de sudorese para atletas variam de 0,5L/h a 2,5L/h(14). Diversos fatores interferem na produção de suor, tais como as condições climáticas, aclimatação do atleta, condicionamento físico, ingestão de fluidos, vestimentas, composição corporal e posicionamento no campo(21,22).
A menor intensidade de treino, além das condições favoráveis do dia da pesquisa com a bebida controle (menor temperatura e umidade relativa mais alta), provavelmente favoreceram a redução da taxa de suor.
Reis et al.(23), avaliaram o perfil antropométrico e determinaram a taxa de sudorese de 16 jogadores juvenis de futebol entre 14 e 17 anos, em um dia de treino de 60 minutos, com temperatura média de 14ºC e umidade do ar de 70%. A média dos valores de taxa de sudorese obtida para os atletas foi de 8,8 ± 6,6mL/min, o que corresponde a 0,53L/h ± 0,4L/h. Assim, os valores de taxa de sudorese foram menores que os encontrados no presente estudo; isto pode ser justificado pela baixa temperatura, alta umidade do ar e menor tempo de treino dos atletas pesquisados por estes autores.
Os melhores resultados de capacidade de hidratação da bebida comercial com relação à bebida teste podem ter sido influenciados pela intensidade do exercício (de leve a moderada) e as condições climáticas (temperatura mais baixa e umidade relativa do ar mais elevada) no dia da ingestão da bebida controle. Entretanto, a bebida teste foi eficiente em manter a perda de massa corporal abaixo de 2%, limite para considerar o indivíduo hidratado.
Considerando-se que o grupo avaliado foi composto por adolescentes que, em geral, não têm informações sobre a importância da hidratação no desempenho físico, é necessário a conscientização dos atletas, bem como pais ou responsáveis e treinadores sobre a ingestão de líquidos e suplementos antes, durante e após os exercícios físicos. Além disso, recomendações individualizadas de ingestão de líquidos podem ser mais efetivas na hidratação desses atletas, já que cada esportista pode ter uma necessidade diferenciada.

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Autores:
Mara Reis Silva I; Carolina de Souza CarneiroI; Paula Azevedo Aranha CrispimI; Núbia Cristina Santos MeloII; Rodrigo Rocha SalesII
IUniversidade Federal de Goiás – Goiânia, Goiás
IIVila Nova Futebol Clube – Goiânia, Goiás, Brasil

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