O avanço da idade requer atenção especial para fatores que promovem a manutenção da saúde e da vitalidade. Dentre os cuidados necessários, destacam-se aqueles relacionados com a boa nutrição.
Dr. Júlio Sérgio Marchini*, professor da Faculdade de Medicina da USP de Ribeirão Preto, explica que o processo de envelhecimento afeta todas as células do organismo, podendo exercer efeito negativo sobre o consumo de alimentos e colocar os indivíduos em situação de risco nutricional. "Podemos considerar que as células relacionadas com digestão, absorção e assimilação dos componentes "sofrem" com o envelhecimento. Portanto, a eficácia de aproveitamento dos nutrientes, provenientes dos diferentes alimentos consumidos, torna-se diminuída."
Estudos demonstram que a desnutrição decorrente da baixa ingestão de proteínas e energia é comum nessa fase da vida e é apontada como uma das razões que levam os indivíduos na terceira idade a adquirirem redução de massa muscular e força. De acordo com Marchini, a ingestão adequada de proteínas e energia é essencial para a manutenção das condições vitais, assim como, de cálcio e vitamina D, nutrientes associados à eficácia do metabolismo ósseo.
"As principais conseqüências da má nutrição do idoso incluem desde osteoporose e sarcopenia (perda de massa muscular), até a incapacidade de praticar exercícios físicos e realizar funções simples como abotoar uma camisa".
Visando orientar a população para a prevenção de carências nutricionais, o Ministério da Saúde elaborou o guia "Dez Passos para uma Alimentação Saudável para Pessoas Idosas". Dentre as recomendações, estão incluídas:
- Faça pelo menos três refeições (café da manhã, almoço e jantar) e dois lanches saudáveis por dia. Não pule as refeições!
- Dê preferência aos grãos integrais e aos alimentos na sua forma mais natural.
- Consuma diariamente, pelo menos, três porções de legumes e verduras.
- Diminua a quantidade de sal na comida e retire o saleiro da mesa.
- Consuma diariamente três porções de leite e derivados.
Quando necessário, a utilização de suplemento nutricional pode auxiliar o indivíduo a atingir a ingestão recomendada de energia e nutrientes, e, consequentemente, manter o bom estado nutricional, sem que a alimentação regular seja prejudicada.
Havendo dúvida sobre seus hábitos alimentares, converse sempre com um médico ou nutricionista.
Quando o assunto é alimentação saudável, muitas pessoas já têm desculpas na ponta da língua para explicar porque não a seguem. Confira truques para evitar 10 delas, listados pelo site do jornal The Huffington Post:
"Quando preparo hortaliças, o gosto não fica bom"
Os principais erros que as pessoas cometem no preparo de hortaliças são cozinhar demais ou colocar pouco tempero. Diminua o tempo de cozimento usual. Uma opção de molho rápido é misturar partes iguais de azeite e vinagre balsâmico, e adicionar uma colher de chá de mostarda e uma de alho picado. Cubra com uma pitada de amêndoas torradas, sementes de abóbora ou ervas frescas, como coentro, manjericão ou cebolinha.
"Não tenho tempo para cozinhar"
Escolha uma carne saudável (frango ou salmão grelhado) e adicione vegetais congelados. Ou que tal pão sírio com grãos integrais e uma sopa leve e rápida de fazer?
"Vejo batatas fritas e doces para as crianças e fico com vontade de comer"
Seus filhos devem comer os mesmos alimentos saudáveis que você. Incorpore mudanças lentas e sutis, como trocar batata frita por cozida, refrigerante por leite e achocolatado.
"Quando compro produtos frescos, estragam rapidamente"
Frutas e hortaliças frescas costumam se manter por até sete dias. Então, verifique se está comprando a quantidade ideal, sem excessos. Armazene-as corretamente, na geladeira e em sacos plásticos finos que liberam a umidade e gases que emitem naturalmente e que aceleram a decomposição. Coloque-as distantes umas das outras. Se notar que alguma está podre, jogue fora antes que prejudique o restante. Saiba também que alguns produtos duram mais tempo sem refrigeração, como tomate, banana e manga.
"Não sobrevivo sem algo doce"
Escolha um doce benéfico, como o chocolate amargo. Vários estudos constataram que seus flavonoides podem reduzir a pressão arterial e melhorar a circulação.
"Amo alimentos salgados"
Não se estresse com a pitada de sal da batata cozida ou da pipoca. Evite a grande quantidade de sódio presente em produtos processados. Fique atento aos rótulos.
"Sou viciado em carboidratos"
Provavelmente, aposta em carboidratos refinados, encontrados em pães e doces, como pão e doces, que podem fazer com que se sinta com fome e cansado. A solução é adicionar proteína às refeições e lanches, porque o mantém satisfeito por mais tempo. Entre as fontes da iguaria estão carne magra, frango, queijo cottage, ovos, grãos de soja, feijão, atum em lata ou salmão.
"Sei que faz bem, mas não gosto de peixe"
Nem todos os tipos de peixes têm sabor ou cheiro forte. Tilápia, bacalhau, linguado e robalo são exemplos que se fundem bem aos sabores dos temperos, o que aumenta as chances de aprová-los.
"Estou muito ocupado para fazer um almoço saudável"
Marmita é uma estratégia inteligente para comer de maneira saudável. Escolha bem os alimentos e evite excessos. Para o lanche, prefira biscoitos com fibras, iogurte desnatado, frutas.
"Alimentos ricos em fibras incomodam meu estômago"
É essencial fazer um esforço para comer mais fibras, porque ajudam a reduzir os níveis de colesterol e a se manter magro. O corpo deve se adaptar à fibra extra entre duas a três semanas. Provavelmente, também não terá sintomas se aumentar a ingestão em 5 g, que é o valor de duas fatias de pão integral, uma xícara e meia de morangos ou 3/4 xícara de cereais ricos em fibra. Aumente gradativamente até chegar às 25 g diárias recomendadas. Beber muita água também auxiliar a fugir de desconfortos.
População e amostraEstudo descritivo transversal composto por uma amostra de 23 adolescentes obesos, de ambos os sexos, que estavam ingressando em um Programa Multiprofissional de Tratamento da Obesidade (PMTO). Os critérios de inclusão para o estudo foram: apresentar idade entre 11 e 18 anos, não apresentarem doenças, lesões ou limitações que impossibilitem a realização de todos os testes e medidas, ser obeso ou apresentar sobrepeso segundo os critérios propostos por Cole et al (2000) e assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido pelos pais e responsáveis. Todos os procedimentos utilizados nesta pesquisa seguiram as regulamentações exigidas na Resolução 196/96 do Conselho Nacional de Saúde sobre pesquisa envolvendo seres humanos. Onde foi aprovado pelo comitê permanente de ética em pesquisa com seres humanos da Universidade Estadual de Maringá (COPEP), conforme o parecer nº 463/2009.Avaliação antropométricaPara a avaliação antropométrica foi utilizado o peso, estatura, índice de massa corporal (IMC), circunferência da cintura (CC), circunferência abdominal (CA), circunferência do quadril (CQ), relação Cintura/Quadril (RCQ) e as pregas cutâneas tricipital, escapular e suprailíca. Sendo que todas essas avaliações foram mensuradas por um único avaliador.Para aferição do peso corporal e da estatura foi usado uma balança digital da marca Welmy com 0.05 kg de precisão e capacidade máxima de 300 Kg, e um estadiômetro acoplado a ela com precisão de 0,1 cm. A partir destas medidas foi possível calcular o IMC através da fórmula: Peso/(altura*altura). Para a classificação do IMC (eutrófico, sobrepeso e obesidade) foi utilizado os critérios de Cole et al (2000).As medidas de circunferências foram mensuradas por meio de uma fita não-extensiva da marca Wiso de 2 metros de comprimento e com divisões em milímetros. Para isso, utiliza-se o maior perímetro abdominal, entre a última costela e a crista ilíaca para mensurar a CC, já para CA, utilizou-se a cicatriz umbilical e para aferir a circunferência do quadril utilizou-se o nível dos trocânteres femurais. A partir das medidas da cintura e do quadril foi possível calcular o RCQ (Razão Cintura-Quadril): divisão da cintura pelo quadril.Para avaliação das pregas cutâneas foi utilizado o compasso da marca Cescorf. O examinador realizou um mínimo de 2 ou 3 mensurações numa ordem de rodízio em cada avaliado, sendo que foi estabelecido o hemicorpo direito para as avaliações. Foram mensuradas: a prega referente ao ponto médio entre a borda súpero-lateral do acrômio e a borda inferior do olecrano, na face posterior do braço (Prega Tricipital); dobra oblíqua ao eixo longitudinal do corpo, seguindo a orientação dos arcos costais, dois centímetros abaixo do ângulo inferior da escápula (Prega Subescapular) e a dobra cutânea referente medida três centímetros acima da crista-ilíca na linha axilar anterior (Prega Suprailíaca). O cálculo da porcentagem de gordura foi esse método foi feita por meio das equações abaixo proposto por Slaughter et al., (1988) para crianças e adolescentes.Avaliação da aptidão aeróbiaO cálculo de VO2 máx. foi feito por meio dos resultados do teste “suttle run 20m”, validado no Brasil por Duarte e Duarte (2001). O teste foi aplicado em grupos de 5 a 8 pessoas, que deveriam percorrer juntas, num ritmo cadenciado pelo programa de computador específico para o teste, uma distância de 20 metros. O programa emite bips, em intervalos específicos de cada estágio, sendo que a cada sinal sonoro o avaliado deve estar cruzando com um dos pés uma das linhas de delimitação dos 20 metros. No software, são sinalizados os finais de cada estágio com dois bips consecutivos, a duração de cada estágio é de 1 minuto e o avaliador comunicava em voz alta o número do estágio concluído. A duração do teste depende da capacidade cardiorrespiratória dos avaliados, acontecendo de maneira progressiva, com uma velocidade inicial de 8,5km/h e aumento de 0,5 km/h em cada estágio, perfazendo um total possível de 21 minutos e uma velocidade de 17,5 km/h. Foi utilizada a fórmula proposta por Guedes e Guedes (1997) para cálculo de VO2 máx.: 31,035 + (Veloc. Estágio x 3,238) – (idade do indivíduo x 3,248) + (idade do indivíduo x velocidade do estágio x 0,1536).Avaliação da composição corporalPara avaliação da composição corporal, foi utilizado pelo bioimpedânciometro multifrequencial da marca In Body, modelo 520. Foram mensuradas a massa e porcentagem de gordura corporal, massa livre de gordura e massa magra.Análise estatísticaOs dados foram tabulados no software Microsoft Excel 2007 e analisados no pacote estatístico SPSS – versão 13. Foi aplicado teste de Shapiro-Wilk a fim de verificar a normalidade dos dados apresentados. Para a realização dos cálculos estatísticos inferenciais os valores de aptidão cardiorrespiratória foram classificados em dois grupos: não aptos e aptos, adotando o percentil 50 na divisão dos grupos. As diferenças entre os dois grupos foram identificadas pelo teste “t” de Student independente. Ainda foi realizado o teste de correlação de Pearson na verificação de associação entre as variáveis. O nível de significância adotado neste estudo foi de p<0,05.
Estudo da Universidade Estadual Paulista (Unesp) mostrou que os genes do metabolismo têm influencia no comportamento alimentar de adolescentes.
A pesquisa avaliou a combinação do efeito desses polimorfismos, ou variações, com o estilo de vida e analisou a influência dessa associação com riscos de doenças crônicas, como diabetes, obesidade, hipertensão arterial e colesterol elevado.
Segundo Emilia Alonso Baltazar, autora do estudo, " no grupo dos jovens com polimorfismos nos genes estudados, em torno de 30% apresentaram níveis anormais de lipídios ou gordura no sangue, chamada dislipidemia" .
Do ponto de vista epidemiológico, este trabalho explica a razão pela qual alguns grupos são mais suscetíveis a fatores ambientais. Por exemplo: um adolescente magro pode apresentar colesterol elevado, fato impensável para leigos; ou o fato de alguns jovens não responderem bem ao tratamento baseado em dieta alimentar ou prática de atividade física.
Segundo a autora, a advertência para a existência de problemas metabólicos de origem genética em adolescentes ocorreu em seu mestrado, concluído em 2008, quando foi verificado grande número de adolescentes com alterações no perfil lipídico, não explicáveis por fatores ambientais e fisiológicos. " Por esta razão, supusemos que poderia haver outras variáveis influenciando essas alterações, como as genéticas" , explica.
Ela fez uma análise bioquímica nos níveis de insulina, glicose, triglicerídeos, colesterol total e frações e da apolipoproteína " Apoa1" , relacionada aos polimorfismos ligados ao desenvolvimento de doenças cardiovasculares. As amostras de sangue foram coletadas em 214 crianças da região de Piracicaba (SP), inclusive moradores da zona rural, na faixa etária em torno de 11 anos.
Aliado à amostragem bioquímica, a pesquisadora também procurou identificar possíveis alterações na cadeia dos genes envolvidos no metabolismo lipídico, responsáveis pelo processamento da gordura que circula no organismo.
Disfunções nesse metabolismo podem resultar em doenças cardiovasculares, obesidade, hipertensão arterial e diabetes.
A pesquisadora sugere dietas e práticas de atividades físicas direcionadas ao perfil genético do adolescente para prevenir o desenvolvimento de fatores de risco metabólico e o aparecimento de doenças crônicas na vida adulta. " Mas uma dieta para prevenção ou combate de doenças crônicas não pode ser generalizada" .
Com informações da Unesp